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Domingo XV do Tempo Comum - Ano A - 12 de julho

COM A SEMENTE DE DEUS, GERAR FRUTOS DE SANTIDADE 

No domingo passado, a Palavra de Deus falava-nos de uma vida segundo o Espírito para alcançar a salvação, ou seja, Deus conduz-nos com amor para vivermos de acordo com o Evangelho. Neste domingo, a Palavra de Deus fala-nos sobre os meios pelos quais recebemos a sua ajuda para continuarmos neste caminho de salvação. O poder da Palavra tem, para Isaías, uma forte semelhança com o poder da natureza, como nos diz na primeira leitura: “como a chuva e a neve que descem do céu não voltam para lá sem terem regado a terra, sem a terem fecundado e feito produzir”. A ação da chuva sobre a terra é poderosa porque a fertiliza e a faz germinar. A imagem apresentada pelo profeta é também muito forte quando comparada com a Palavra de Deus que se pronuncia sobre a criação e, em particular, sobre o homem, que deve dar fruto ouvindo a Palavra. A resposta do homem à Palavra de Deus encontra-se no Salmo 64, que desenvolve o tema do cuidado de Deus com a terra: “Assim preparais a terra; regais os seus sulcos e aplanais as leivas… por onde passastes brotou a abundância”. Assim, uma vez descrito o cuidado amoroso de Deus pela terra, as criaturas louvam o Senhor por tudo o que Ele faz. Façamos nosso este cântico de louvor por tudo o que o Senhor nos oferece. Jesus explica o poder do amor de Deus e da Sua Palavra de uma forma simples, usando parábolas que são facilmente compreendidas pelas pessoas. No Evangelho, a comparação que Jesus usa é a de um semeador que saiu para semear e os grãos que semeia compara com a Palavra de Deus que cai em terrenos diferentes para explicar o acolhimento das pessoas. Uns, ouvem a palavra do Reino e não a compreendem. Outros, ouvem a palavra e aceitam-na imediatamente com alegria, mas não a deixam criar raízes. Uns ouvem a palavra, mas os cuidados da vida e a sedução das riquezas sufocam-na. Outros ouvem a palavra, compreendem-na e dão fruto. O interessante é que em todas as quatro comparações a semente cai, o que significa que as pessoas “ouvem” a Palavra. No entanto, o acolhimento não é o mesmo, pelo que é essencial usar as capacidades que Deus nos deu para podermos dar fruto. Por isso, Jesus afirma: “ouvindo ouvireis, mas sem compreender; olhando olhareis, mas sem ver”. Mas, reconhece a capacidade dos discípulos e diz-lhes: “felizes os vossos olhos porque veem e os vossos ouvidos porque ouvem”! Agora, podemos afirmar que Deus nos dá todos os elementos para responder a Ele e dar frutos. A Igreja está consciente disto, rezando ao Pai dizendo: “mostrais aos errantes a luz da vossa verdade para poderem voltar ao bom caminho” (Oração Coleta). Como diz São Paulo, “eu penso que os sofrimentos do tempo presente não têm comparação com a glória que se há de manifestar em nós”. Somos chamados a viver na presença de Deus e a evitar a confusão do mundo e a “rejeitar tudo o que é indigno deste nome” (Oração Coleta), de cristãos, e a “seguirmos fielmente as exigências da fé”, para que a nossa condição se realize plenamente. O resultado é dar frutos de santidade, pois, pondo em prática a Palavra e recebendo os dons da graça, podemos “crescer na santidade” (cf. Oração Sobre as Oblatas). Deste modo, o cristão, que participa na celebração, ouve a Palavra, põe-na em prática e, ao recebê-la, manifesta-se a força da ação de Deus, como proclama a Eucaristia: “Senhor, que nos alimentais à vossa mesa santa, humildemente Vos suplicamos: sempre que celebramos estes mistérios, aumentai em nós os frutos da salvação” (Oração Depois da Comunhão). Que a Palavra de Deus penetre, gota a gota, nas nossas vidas, para que a mensagem salvífica de Jesus Cristo nos trespasse totalmente, e cada um de nós produza frutos de santidade.

SUGESTÃO DE CÂNTICOS 

Entrada: Eu venho, Senhor, F. Santos, NCT 218 ou A. Cartageno, ENPL XII 31 (CEC II 77); Pelos caminhos da esperança (J. Martins) – CT 34; Apresentação dos Dons: Bendito sejas, Senhor, nosso Pai (F. Santos) – CT 62; A Palavra de Deus (M. Luís) – CAC 446; Comunhão: Quem come a minha carne, C. Silva, NCT 422 ou CEC II 78; A semente é a Palavra de Deus, C. Silva, NCT 256 ou CEC II 79; Final: Dai graças ao Senhor (F. Santos) – NCT 610; Ditosos os que Te louvam sempre (F. Santos) – NCT 109.

LEITURA ESPIRITUAL

Como trabalhas o campo do teu coração? 

Àquele que aceita de bom grado a semente das minhas palavras, dou em superabundância os dons do Espírito Santo, como a um campo bom. Mas aquele que umas vezes a recebe e outras vezes a rejeita é como um campo que ora reverdece, ora murcha. Mostra-me como trabalhas o campo do teu coração e como o cultivas! Se o teu trabalho interior me agradar, dar-te-ei uma excelente colheita. A tua colheita e a tua recompensa dependerão do teu trabalho. Porventura dou frutos à terra sem trabalho? Nem tão-pouco tos darei, ó homem, sem o suor que te peço. Pois recebeste de Mim aquilo que te permite trabalhar a tua alma. Há quem pense que pode ser tudo o que quiser, e se recuse a examinar o que é e o que pode fazer, a consultar Aquele que o formou e que é o seu Deus. Quer tratar a Deus como um criado cuja função é cumprir inteiramente a sua vontade. Olha que eu não dou os meus dons nem semeio o campo vazio do homem que tenta unir-se a Mim com esse orgulho, como se, na alienação da sua ignorância, não Me conhecesse. Ó homem, porque não olhas para o campo da tua alma, para dele remover as ervas daninhas, os espinhos e as silvas inúteis, invocando-Me e examinando-te para não vires ter comigo como se estivesses embriagado, louco e ignorante de ti próprio, tu que não podes realizar nenhuma obra de luz sem a minha ajuda? Sem Mim, nada podes fazer. (Santa Hildegard de Bingen (1098-1179), abadessa beneditina e doutora da Igreja, «Scivias, os caminhos de Deus», cap. 4)

 
Redação: Padre Jorge Seixas e Padre Carlos Cunha
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