Secretariado Diocesano da Pastoral Litúrgica de Viseu
ADAP Admonições Audiovisuais Equipa-Liturgia Espiritualidade Formação Liturgia-Vida  Quem somos Zeladoras-igreja  
Exaltação da Santa Cruz - XXIV Domingo  do Tempo Comum Ano C

No dia 14 de Setembro, a Igreja celebra a Festa da Exaltação da Santa Cruz. A origem desta festa é a dedicação, em Jerusalém, no ano 335, das basílicas do Calvário e do Santo Sepulcro. A cruz de Cristo orienta o nosso pensamento para sexta-feira Santa. Na cruz, manifesta-se a realeza de Cristo no triunfo do amor. Aquela cruz que foi instrumento de tortura revela-se agora como a fonte da luz e lugar glorioso onde Jesus Cristo se entrega amorosamente por toda a humanidade. Ele salvou-nos e libertou-nos na cruz. Por isso, “toda a nossa glória está na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo” (antífona de entrada). Todos os textos bíblicos deste dia referem-se à cruz de Cristo. Na primeira leitura, o livro dos Números narra a célebre imagem da serpente de bronze, erguida no poste por Moisés no deserto. É uma figura da cruz salvadora de Jesus. Olhando para esta serpente de bronze, os judeus, mordidos pelas serpentes venenosas do deserto, ficavam curados. Esta imagem é utilizada por Jesus no diálogo com Nicodemos, membro notável do grupo dos fariseus e dos doutores da lei. Na carta aos Filipenses, na segunda leitura, encontramos o célebre hino cristológico que fala do despojamento (“Kenosis”) de Cristo, que aceitou a morte na cruz e da sua exaltação gloriosa com a ressurreição, “para que no céu, na terra, nos abismos, toda a língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai”. Neste dia, é importante deixar bem claro o seguinte: a salvação da humanidade reside na morte de Cristo na Cruz, sacrifício através do qual Ele tirou o pecado do mundo. A Cruz é vista como a imagem da árvore redentora na qual triunfou a vida, em contraste com a primeira árvore do paraíso que foi a causa de morte. A partir da Cruz, podemos confessar a glória do Filho de Deus crucificado através da sua paixão salvadora. No evangelho, a Cruz e a Páscoa são o mesmo mistério. Aquele que foi elevado na cruz, ressuscitará, subirá ao céu e sentar-se-á à direita do Pai. A Páscoa transforma a Cruz num lugar glorioso: todo aquele que acredita em Jesus Crucificado não perecerá mas terá a vida eterna. No deserto, os judeus olhavam para a serpente de bronze no poste e eram curados. Na Cruz, Jesus salva-nos da mordedura do pecado. Na Cruz de Cristo, descobre-se a importância redentora do sofrimento. Unidos à Cruz de Cristo é mais fácil aceitar as cruzes de todos os dias. O mundo está cheio de sofrimento, as cruzes multiplicam-se por toda a parte. Sofre-se a fome, o desemprego, a falta de uma casa, o salário baixo. Sofre-se a doença, a morte dos amigos, a insegurança no futuro. Sofre-se a dúvida, a hesitação nos caminhos da fé, a debilidade e o pecado, a dificuldade no recomeço. Contemplando a Cruz de Cristo, teremos a serenidade para enfrentar todas as nossas dificuldades. A Cruz Redentora não só nos traz confiança na hora da tormenta como nos dá coragem para caminharmos serenos para a Ressurreição. Jesus Cristo, dando a vida na Cruz, venceu a morte com a Ressurreição ao terceiro dia. Com os olhos postos na Cruz de Cristo, venceremos as cruzes da vida, sentiremos o amor de Deus, porque Jesus Cristo Crucificado nos salvou. Carregando a nossa cruz, estaremos a colaborar para a salvação do mundo. Assim, em cada momento da nossa vida, poderemos rezar a seguinte oração popular: “Nós Vos adoramos e bendizemos ó Jesus, que pela Vossa Santa Cruz redimiste o mundo”.

Sugestão de Cânticos
Entrada: Toda a nossa glória, M. Luís, NCT. 124; Ó Cruz fiel, F. Santos, NCT 142; O estandarte da Cruz, M. Luís, NCT 502; Salmo Resp: (à falta de salmo próprio musicado poderá cantar-se outro, que exprima louvor e acção de graças pelas maravilhas da salvação); Aclam. Ev.: Nós Vos adoramos, adapt. de NCT 239; Ofertório: Insígnia triunfal, F. Santos, NCT 523; Comunhão: O Filho do Homem, F. Santos.
Leitura Espiritual
«Para que o mundo seja salvo por Ele» 

Tendo-Se feito homem por amor aos homens, (Jesus) ofereceu a plenitude da sua vida humana às almas que escolheu. Ele, que formou cada coração humano, quer um dia manifestar o sentido secreto do ser de cada um com um novo nome, que só aquele que o recebe compreende (Ap 2,17). Ele uniu-Se a cada um dos eleitos de maneira misteriosa e única. Tirando-a da plenitude da sua vida humana, ofereceu-nos a cruz. O que é a cruz? É o sinal do máximo opróbrio. Aquele que lhe toca é rejeitado pelos homens. Os que O aclamaram afastam-se dele com terror e já não O conhecem: foi abandonado, sem defesa, nas mãos dos seus inimigos. Nada mais Lhe resta na Terra além do sofrimento, dos tormentos e da morte. O que é a cruz? É o sinal que aponta o Céu. Muito acima da poeira e das brumas desta Terra, ela eleva-se ao alto, até à luz pura. Abandona, pois, o que os homens podem possuir, abre as mãos, cinge-te à cruz, e ela levar-te-á até à luz eterna. Ergue os olhos para a cruz: ela estende as suas traves qual homem que abre os braços para acolher todo o mundo. Vinde todos, vós que tomais sobre vós o meu jugo (cf Mt 11,28), e vós também, que apenas podeis gritar com Ele na cruz. Ela é a imagem do Deus que, crucificado, Se torna lívido. Ela eleva-se da Terra até ao Céu, como Aquele que subiu ao Céu e quer levar-nos a todos consigo. Abraça a cruz, e possui-lo-ás, a Ele, que é o caminho, a verdade e a vida (cf Jo 14,6). Se carregares a tua cruz, será ela a carregar-te, nela terás a plenitude. (Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein), 1891-1942, carmelita, mártir, co-padroeira da Europa, Poema «Signum Crucis», 16/11/1937)

Chefe de redação: Cónego Jorge Seixas E-mail
© 2002-2025 carloscunha.net
View My Stats