SABER DISCERNIR NO AMOR DE DEUS
Percorremos um caminho de salvação onde nos é claramente mostrado o amor de Deus e a sua vontade de que cheguemos à sua presença, ao seu santuário, para habitar com Ele (cf. Antífona de Entrada). Este caminho requer certezas, indicações, auxílio e Deus esteve lá para nos dar o que precisávamos, através da ação do Espírito Santo, para alcançar os bens eternos (cf. Oração Coleta). Um requisito para agradar ao Senhor é pedir sabedoria, como fez Salomão, que não desejou longa vida, tesouros e riquezas. O que Salomão teria no seu coração quando ouviu Deus dizer: “Pede o que quiseres”? Salomão responde tendo em conta toda a história da salvação e o profundo amor que Deus demonstrou a seu pai David e a si próprio, desde a sua infância. Por isso, Salomão já se sentia rico e dirige-se ao Senhor com esta súplica: “Dai, portanto, ao vosso servo um coração inteligente, para governar o vosso povo, para saber distinguir o bem do mal”. Se Deus nos fizesse esta pergunta, o que lhe responderíamos? O Senhor faz-nos a mesma pergunta todos os dias e gostaria de nos responder da mesma maneira: “Dou-te um coração sábio e esclarecido, como nunca houve antes de ti nem haverá depois de ti”. Será necessário olhar para as profundezas do nosso coração, responder com alegria, viver os mandamentos de Deus e saber discernir em todos os momentos da nossa vida, distanciando-nos daqueles que se opõem ao seu amor e vontade. A resposta do salmista ao amor de Deus não podia ser outra: “Quanto amo, Senhor, a vossa lei”! Com este cântico, a comunidade cristã, neste domingo, faz suas as palavras do salmista para glorificar a Deus que nos ama. A conclusão é viver os Seus mandamentos, reconhecer que os Seus preceitos são admiráveis e que nos guiam, que o Seu amor nos conforta, que Ele nos mostra a Sua ternura. Em poucas palavras, pode-se dizer que este salmo nos dá os elementos suficientes para agradecermos ao Senhor o seu amor e a sua ternura. Por isso, neste domingo, rezamos: “fazei que este dom do seu amor infinito sirva para a nossa salvação” (Oração Depois da Comunhão). Portanto, o importante é dar respostas concretas depois de amar a Deus e de fazer um discernimento adequado. Na evolução do nosso progresso espiritual, somos convidados a reproduzir em nós mesmos (“em sermos conformes”) a “imagem do seu próprio Filho”. O Senhor dá-nos os elementos para o conseguirmos, pois prepara o terreno para alcançarmos este objetivo através de um processo específico: “àqueles que predestinou, também os chamou; àqueles que chamou, também os justificou; e àqueles que justificou, também os glorificou”. A predestinação, o chamamento, a justificação e a glorificação fazem parte do itinerário que o Senhor preparou para quem O seguir e, nesta aventura de amor, podermos procurar a pérola ou o tesouro precioso no campo. Para tal, é necessário saber discernir, saber escolher o correto. Por isso, rezamos ao Senhor: “Multiplicai sobre nós a vossa misericórdia, para que, conduzidos por Vós, usemos de tal modo os bens temporais que possamos aderir desde já aos bens eternos” (Oração Coleta) Devemos agir com sabedoria, ou seja, saber discernir, viver o valor fundamental da existência, vender tudo para guardar o que realmente nos faz viver e caminhar para a santidade, como diz a Oração Sobre as Oblatas: “que estes sagrados mistérios, por obra da vossa graça, nos santifiquem na vida presente e nos conduzam às alegrias eternas”. Só assim, um dia, estaremos diante da majestade e do amor de Deus para que, uma vez escolhida a vida eterna, possamos entrar para habitar com Ele no seu reino. Saibamos estar vigilantes para descobrir os verdadeiros valores do reino que Ele nos anuncia e optar decisivamente por eles. |