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Domingo XXII do Tempo Comum - Ano A - 30 de agosto

A CRUZ DE JESUS É A PERDA DE TUDO E A ENTREGA DE AMOR AO PAI E AOS IRMÃOS 

O texto evangélico deste domingo é a continuação do que lemos no domingo passado. Esta passagem é fundamental para todo o evangelho. Jesus pergunta aos discípulos: “Quem dizeis que eu sou”? Pedro responde com a profissão de fé cristã: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. Jesus elogia Pedro e anuncia que ele será a pedra fundamental da sua Igreja. E o texto continua: “Jesus tinha de ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos príncipes dos sacerdotes e dos escribas; que tinha de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia”. Pedro, “tomando-O à parte, começou a contestá-l’O, e Jesus reage de uma maneira muito dura (“Vai-te daqui, Satanás”) e exprime a razão e o significado de uma proposta tão escandalosamente surpreendente, para si e para todos os que o queiram seguir. Estamos diante do facto central do mistério de Jesus, Salvador da humanidade: a sua morte e a sua ressurreição. Não foi fácil para os discípulos entenderem, nem é fácil para nós. Jesus morreu e ressuscitou, para quê? Os textos evangélicos explicam o significado da morte de Jesus, destacando a palavra “vida”. Não é verdade que todos nós queremos ganhar a vida? Ora, se alguém ganhar a sua vida, irá perdê-la; só a ganhará se a perder por Jesus. Que importa ganhar o mundo inteiro, se depois se perde a vida? Jesus diz: “Quem quiser ser grande entre vós, faça-se vosso servo” (Mc 10, 43); “mesmo que um homem viva na abundância, a sua vida não depende dos seus bens” (Lc 12, 15); “Nem só de pão vive o homem” (Mt 4, 4); “Porque todo aquele que se exalta será humilhado” (Lc 14, 11); “ Não vos inquieteis quanto à vossa vida, com o que haveis de comer ou beber, nem quanto ao vosso corpo, com o que haveis de vestir” (cf. Mt 6, 25-34). A verdadeira vida do homem é Deus. Só quem perde tudo pode encontrá-lo. Tudo deve perder-se “por mim” (Mt 16, 25) ou “por causa do Evangelho” (Mt 10, 40-43). Este é outro aspeto fundamental: ganham os que perdem tudo por amor ao Pai e a todos os nossos irmãos e irmãs. Trata-se de perder, cedendo na confiança em Deus e no amor aos irmãos, especialmente aos mais necessitados. Esta é a vontade de Deus sobre Jesus, o Filho e sobre os seus seguidores. E aqui está a revelação do mistério da cruz. A cruz de Jesus é o momento pleno da perda de tudo e do amor total ao Pai e aos irmãos. Jesus fala não só de si mesmo e da sua morte e ressurreição, mas também dos seus discípulos. Não são chamados apenas a obedecer-lhe e a imitá-lo. São chamados a participar no seu caminho de perda de tudo na confiança no Pai e no amor aos irmãos. Estas são as palavras de Jesus que marcaram a vida dos seus discípulos durante séculos e que, agora, somos chamados a ler à luz da sua cruz: “Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me”. São palavras radicais que podem levar a uma atitude negativa em relação a tudo. Devem ser entendidas e vividas não como uma suspeita de tudo, nem mesmo como um desprezo de si mesmo; o evangelho exorta-nos a renunciarmo-nos e a tomarmos a cruz como caminho e condição do que realmente importa: a confiança no Pai, amor generoso pelos outros, liberdade, paz de espírito, alegria, verdadeira reconciliação com a própria fraqueza. São Paulo afirma na segunda leitura: “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, pela renovação espiritual da vossa mente, para saberdes discernir, segundo a vontade de Deus”. As notícias estão a deixar as pessoas confusas. É na rádio, televisão, redes sociais, e agora a inteligência artificial promete saciar a nossa sede de verdade e, no entanto, deixa-nos com uma amargura muito maior. Parece que já não distinguimos a verdade da mentira. Quantos dos nossos adolescentes e jovens estão a passar por crises profundas que os levam a abandonar a vida. Tanta violência doméstica, homens e mulheres tratados como animais. Estas são as primícias de um mundo sem Deus que criámos. Hoje, mais do que nunca, precisamos de permanecer firmes em Deus. Ele dá felicidade àqueles que caminham ao seu lado. Não promete que as coisas sejam fáceis, mas dá àqueles que o seguem, uma vida plena e verdadeira.

SUGESTÃO DE CÂNTICOS

Entrada: Chegue até Vós, Senhor, a minha súplica, NCT 213; Senhor, Tu nos chamaste, NCT 770; Escutai-me, Senhor (F. Silva) – CEC II 105; Aclamai o Senhor, terra inteira (F. Silva) – NCT 206, Aclamação ao Evangelho: NCT 240; Apresentação dos Dons: Vós me seduzistes, Senhor (C. Silva) – OC 314; Eu sou o Senhor que sonda os corações (F. Santos) – LHC 433; Comunhão: Como é admirável, Senhor, NCT 257; Ó Sagrado Banquete, NCT 266; Se alguém quiser seguir-Me (C. Silva) – CEC II 109; O Filho do Homem (F. Santos) – CEC I 116; Final: Como o veado anseia (M. Luís) – CT 101; Jesus Cristo, ó Porta do Reino (A. Cartageno) – CEC I 191.

LEITURA ESPIRITUAL

«Pedro tomou-O à parte e começou a contestá-lo» 

Não devemos ter vergonha da cruz do Salvador, mas gloriar-nos nela. «A linguagem da cruz é escândalo para os judeus e loucura para os gentios», mas para nós é salvação. É loucura para os que se perdem e poder de Deus para os que se salvam (1Cor 1,18-24). Não foi apenas um homem que morreu, mas o Filho de Deus, Deus feito homem. No tempo de Moisés, o cordeiro afastou o anjo exterminador (Ex 12,23); pois muito mais «o Cordeiro de Deus que vai tirar o pecado do mundo» (Jo 1,29) nos libertou dos nossos pecados. Ele não deixou esta vida contrafeito, não foi imolado à força, mas pela sua própria vontade. Escutai o que nos diz: «Tenho poder para a dar e para tornar a tomá-la» (Jo 10,18). Entregou-Se deliberadamente à sua Paixão, feliz na sua entrega, sorrindo ao seu triunfo, contente por salvar os homens. Não teve vergonha da cruz, porque salvava o mundo. Não era um pobre homem que sofria, mas Deus feito homem que combatia para obter o preço da paciência. Não te regozijes na cruz somente em tempo da paz; mantém a fé no tempo da perseguição. Não sejas amigo de Jesus apenas em tempo de paz, para te tornares seu inimigo no tempo da guerra. Agora, recebes o perdão dos teus pecados e os dons espirituais prodigalizados pelo teu rei; quando eclodir a guerra, combate com bravura por Ele. Jesus foi crucificado por ti, Ele que não tinha pecado. Não foste tu que Lhe deste esta graça, pelo contrário, recebeste-a dele. Dá graças Àquele que pagou a tua dívida sendo crucificado por ti no Gólgota. (São Cirilo de Jerusalém (313-350), bispo de Jerusalém, doutor da Igreja, Catequese batismal nº 13, 3.6.23)

 

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Redação: Padre Jorge Seixas e Padre Carlos Cunha

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