ADAP  Admonições Audiovisuais Equipa Espiritualidade Formação Liturgia Sobre Zeladoras
Domingo XIV do Tempo Comum - Ano A - 05 de julho

O NOSSO REI É ACOLHEDOR, MANSO, HUMILDE E MISERICORDIOSO 

Deus chamou-nos à vida e fez-nos seus filhos no seu Filho muito amado; esta é uma prova do seu amor por nós e, agora, mostra-nos a sua omnipotência através da sua misericórdia e o seu poder através da generosidade. É esta mensagem que encontramos, neste domingo, na Palavra de Deus. A primeira leitura, da profecia de Zacarias, oferece-nos uma visão do Rei que é justo, vitorioso e humilde. Estas três características (justiça, poder e humildade) que o profeta apresenta desenvolvem-se no texto de uma forma poética: “Exulta de alegria, filha de Sião, solta brados de júbilo, filha de Jerusalém. Eis o teu rei, justo e salvador, que vem ao teu encontro, humildemente montado num jumentinho”. Perante estas características, o povo reage com alegria, porque este Rei é portador e anunciador da paz que destrói os instrumentos de guerra e revela o seu poder, que se estende por toda a parte, “montado num jumentinho”. A imagem poética transforma-se numa profecia do Salvador que entrará em Jerusalém, montado num jumento, para anunciar a paz definitiva, destruindo a guerra do mal com a sua morte. Por isso, a Igreja, na Oração Coleta, proclama o poder do seu Senhor, quando diz ao Pai: “pela humilhação do vosso Filho, levantastes o mundo decaído”. O efeito que causa no povo é a alegria de que fala Zacarias e que esta oração faz referência com estas palavras: “dai aos vossos fiéis uma santa alegria, para que possam chegar à felicidade eterna”. A vitória sobre o poder do mal produz uma imensa alegria na comunidade que reconhece o seu Senhor que é misericordioso, compassivo, manso e humilde, lento para a ira e generoso para perdoar, e que se recorda da sua misericórdia e é sempre fiel, como cantamos no Salmo Responsorial. Por tudo isto, a Igreja proclama a antífona de entrada deste domingo: “Recordamos, Senhor, a vossa misericórdia no meio do vosso templo. Toda a terra proclama o louvor do vosso nome, porque sois justo e santo, Senhor nosso Deus”. (cf. Sl 47, 10-11). Uma vez compreendida a ação de Deus em favor do seu povo, surge uma proposta concreta apresentada por São Paulo na Carta aos Romanos: a de viver segundo o Espírito de Deus. E isto para se opor definitivamente à desordem egoísta que leva o homem a afastar-se de Deus e a agir contra a vontade de Deus. A vida no Espírito purifica-nos e leva-nos a participar na vida da graça (cf. oração sobre as ofertas) e o efeito da graça traduz-se na realização dos benefícios da salvação, para que nunca deixemos de louvar a Deus que nos salvou e nos deu a sua força (cf. oração após a comunhão). Agora, guiados pelo Espírito, a Palavra que o Senhor nos concede neste domingo apresenta-nos três ideias no texto evangélico: revelação, conhecimento e seguimento, que podem ser apresentadas desta forma: a) Revelação: o Pai revela-se aos humildes através do seu Filho. O texto do Evangelho apresenta-nos uma oração de ação de graças, feita por Cristo por esta revelação; b) Conhecimento: o texto oferece-nos uma novidade que faz parte da revelação que nos leva ao conhecimento profundo do amor divino, a partir da vontade de Deus: “ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar” e torna-nos capazes de conhecer coisas maiores, mais incompreensíveis, assim como as mais elevadas acima das leis ordinárias da natureza; e na medida em que a nossa razão tem a ideia da omnipotência divina, ela as admitirá facilmente e sem qualquer hesitação (cf. Catecismo Romano 1, 2, 13; CCC 274); d) Seguimento: depois do conhecimento segue-se o convite para o seguir para onde quer que Ele vá. “Vinde a Mim… e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo… e encontrareis descanso para as vossas almas”. A vida do cristão tem aqui a sua razão de ser. Será conveniente pedir forças para avançar no conhecimento e no seguimento de Cristo. Que a Virgem Maria nos ajude a viver com simplicidade de coração, sentindo-nos pequenos diante de Deus. Só assim podemos verdadeiramente bendizer e louvar o Seu nome em toda a nossa vida.

SUGESTÃO DE CÂNTICOS 

Entrada: Eu vi a cidade santa, F. Santos, NCT 311; Jerusalém, louva ao teu Senhor (C. Silva) – CT 415; Recordamos, ó Deus (C. Silva) – CEC I 68; Apresentação dos Dons: Aprendei de Mim (C. Silva) – OC 44; Canta Jubilosa (M. Luís) CAC 306; Comunhão: Quem comer deste pão, M. Luís, NCT 271; Vinde a Mim vós todos (C. Silva) – CEC II 74; Saboreai como é bom (A. Cartageno) – CEC II 173; Final: Exulta de alegria no Senhor (M. Carneiro) – NCT 740; Cantai ao Senhor (C. Silva) – OC 64.

LEITURA ESPIRITUAL

«Encontrareis descanso» 

Aqueles que se queixam da severidade do jugo do Senhor talvez não tenham rejeitado completamente o pesado jugo da cobiça do mundo. Dizei-me, haverá coisa mais doce e mais repousante do que deixarmos de estar agitados pelos movimentos desregulados da carne? Haverá coisa mais parecida com a tranquilidade divina do que não sermos afetados pelas afrontas que nos fazem, não recearmos tormentos nem perseguições, conservando uma calma idêntica na felicidade e na infelicidade, vendo da mesma maneira o inimigo e o amigo, tornando-nos semelhantes Àquele «que faz nascer o sol sobre os bons e os maus, e chover sobre os justos e os injustos» (Mt 5,45)? Tudo isto se encontra na caridade e apenas na caridade. É de facto nela que reside a verdadeira tranquilidade, a verdadeira doçura, pois ela é o jugo do Senhor. Se, por convite do Senhor, carregarmos com ele, encontraremos repouso para as nossas almas, pois o jugo do Senhor é suave e o seu fardo leve. É que «a caridade é paciente, é benigna, não é invejosa; a caridade não se ufana, não se ensoberbece, não procura o seu interesse, não é ambiciosa» (1Cor 13,4-5). As outras virtudes são para nós como um veículo para um homem cansado, o alimento para um viajante, a luz para quem anda perdido nas trevas e as armas de um combatente. Mas a caridade – que tem de se encontrar em todas as virtudes para que elas sejam virtudes – é em si mesma, de forma muito especial, o repouso do homem cansado, o descanso do viajante, a luz de quem chegou ao fim e a coroa perfeita de quem alcançou a vitória. (Santo Aelredo de Rievaulx (1110-1167), monge cisterciense, O Espelho da Caridade, I, 30-31)

 
Redação: Padre Jorge Seixas e Padre Carlos Cunha
liturgia@diocesedeviseu.pt
© 2002-2026 SDPLV
View My Stats