Solenidade da Santíssima Trindade - Ano A - 31 de maio
O MISTÉRIO DE DEUS UNO E TRINO É O MISTÉRIO DO AMOR: O AMANTE, O AMADO E O AMOR
No domingo passado, com a Solenidade de Pentecostes, encerrámos o tempo pascal, no qual recordámos, de um modo especial, que Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho unigénito para nos salvar e que, depois de o ressuscitar dos mortos, enviou o Espírito Santo para a nossa santificação. Neste domingo, queremos entrar neste mistério divino: o mistério de Deus uno e trino, o mistério do amor. O mistério do amor de Deus é o centro da celebração deste dia e, além disso, o centro de toda a nossa vida como filhos de Deus chamados a viver como irmãos na comunidade, celebrando o amor de Deus. Nesta solenidade, a Palavra de Deus diz-nos que este Deus que adoramos “é um Deus clemente e compassivo, sem pressa para Se indignar e cheio de misericórdia e fidelidade”, que não abandona o seu povo, mas caminha sempre com Ele. Demonstrou isto, revelando-se e acompanhando o povo de Israel, fazendo uma aliança com ele, apesar de todas as infidelidades cometidas pelo povo eleito. E retificou esta situação, revelando-se em Jesus Cristo, o Verbo feito carne, estabelecendo com o seu Sangue uma nova e eterna Aliança. E assim continua a manifestar-se hoje na Igreja, sustentando o seu povo com a força do Espírito Santo. A celebração deste mistério, que é o mistério central da nossa fé, é possivelmente uma das celebrações que reconhecemos mais difíceis de compreender. Mas não podemos esquecer que, embora escape à nossa compreensão, é ao mesmo tempo uma constante na nossa vida, porque para a celebração da fé reúnem-se todos os que foram batizados “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”; todos os dias invocamos as Três Pessoas Divinas, fazemos o sinal da cruz no início da Missa, e recebemos a bênção no final da celebração, para, de seguida, vivermos o que celebramos. Deste modo, se nos esforçarmos por viver como filhos de Deus e, como nos diz São Paulo, trabalharmos pela nossa perfeição, tendo o mesmo espírito e vivendo em paz, “a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo” estarão sempre connosco. Procuremos imaginar o momento em que Deus se apresenta a Moisés. Deus passou “diante de Moisés”, e passa diante de cada um de nós. Isto significa que Deus se aproxima de nós para nos dizer que Ele é amor, para nos dizer que Ele nos ama. Permite-nos contemplá-lo e descobri-lo tal como Ele quer ser apresentado, ou seja, compassivo e misericordioso. A compaixão e a misericórdia são uma expressão concreta do Seu amor por nós, por isso é importante deixarmo-nos encontrar por Deus. Assim como Moisés se prostrou para adorar a Deus, também nós nos devemos prostrar para adorar “a Unidade na sua omnipotência” (Oração Colecta). O efeito desta contemplação e adoração traduz-se na alegria de saber que somos comunidade e que vivemos como irmãos: “Sede alegres, trabalhai pela vossa perfeição, animai-vos uns aos outros, tende os mesmos sentimentos, vivei em paz”. Viver na graça de Deus é viver no amor que nos conduz à vida eterna. E para viver no amor são fundamentais a paz, a alegria e a graça. A consequência deste amor compassivo é compreender que somos chamados à vida eterna, onde viveremos no amor de Deus por toda a eternidade. A experiência do cristão deve ser sempre a alegria de viver como irmãos unidos e que esta alegria manifeste o amor: um amor que ama, um amor que vive, um amor que encoraja. Assim, ao celebrar a Santíssima Trindade, podemos afirmar que o amor é a sua própria definição. Peçamos a Virem Santa Maria, Filha do Pai, Mãe do Filho e Esposa do Espírito Santo, que nos ajude a “professar a verdadeira fé, a reconhecer a glória da eterna Trindade e a adorar a Unidade na sua omnipotência”, para que, com ela, glorifiquemos o nome de Deus por toda a eternidade. |