ADAP  Admonições Audiovisuais Equipa Espiritualidade Formação Liturgia Sobre Zeladoras

Domingo VI da Páscoa - Ano A - 10 de maio 

O ESPÍRITO SANTO GERA UMA COMUNHÃO COM DEUS E COM OS NOSSOS IRMÃOS 

Neste domingo, a Primeira Carta de Pedro recorda-nos que os cristãos devem estar sempre aberto  a dar razão da esperança que temos. Um apelo muito oportuno, porque vivemos numa situação semelhante à dos destinatários desta carta, ou seja, vivemos num mundo pluralista, supersticioso, guiado pelos astros e ligado à terra, onde os cristãos vivem dispersos, marginalizados – não somos como os outros – e muitas vezes experimentamos a indiferença. Jesus Cristo, porque suportou a indiferença e o desprezo, tornou-se a razão da nossa esperança, devido à sua morte e ressurreição. Com a sua paixão e morte, Jesus assume o papel de Servo do Senhor, que se ofereceu a Deus, uma só vez, para o perdão dos pecados. Com a sua ressurreição, Jesus abre aos crentes o acesso à vida com Deus. Por isso, temos a missão de fazer o bem às pessoas, lutando contra o mal e a indiferença. No evangelho, Jesus continua a despedir-se e a falar do futuro sem Ele, mas com Ele. Jesus promete o Espírito Santo aos seus amigos. Assim, assegura-nos que nunca nos deixará sozinhos. Jesus garante que, junto do Pai e através do amor, Ele estará sempre em nós e nós estaremos sempre n'Ele e em Seu Pai. Devemos situar-nos no contexto de um banquete de despedida, com o testamento daquele que se despede. Quando parece que tudo acabou, começa uma nova relação, uma nova vida alicerçada no serviço e no amor: servir e amar gratuitamente, sem condições. O evangelho relaciona o Pai, o Filho e o Espírito Santo com os discípulos (Igreja). O Pai enviará aos discípulos o Espírito Santo. O facto de o Pai conceder o Espírito Santo aos discípulos do seu Filho Jesus implica que Ele quer estar neles, como eles estão no Filho e o Filho está n'Ele. O Espírito Santo une a trindade e os discípulos de Jesus e faz da nossa existência de discípulos uma existência de comunhão com Deus e uns com os outros. Como discípulos receberemos o dom permanente do Espírito, se permanecermos unidos a Jesus, se guardarmos a sua palavra, uma palavra que se tornou relação, verdadeira comida e bebida, palavra que se fez entrega gratuita e livre por amor. Jesus promete a sua presença. Ele não nos deixa sozinhos, porque quer que vivamos a vida que Ele sempre viveu ao lado do pai, uma vida de comunhão, uma vida de amor em plenitude, uma vida livre e feliz para sempre. Portanto, o Pai nos dará o Espírito, para que o Espírito faça brotar rios de água viva do coração dos crentes. O Espírito prometido transformará os nossos corações para que sirvamos e amemos como Jesus, e acompanhar-nos-á sempre no nosso caminho rumo à comunhão com Deus e uns com os outros. Jesus fala diretamente àqueles que buscam a felicidade e àqueles que O procuram vivo, vivente. Amar Jesus e guardar os seus mandamentos é a mesma coisa, são inseparáveis. Não amamos a Deus se não guardarmos os Seus mandamentos. Mas, quais são os mandamentos de Jesus? Os mandamentos de Jesus são a Sua palavra. E a sua palavra é o próprio Jesus, a sua vida de serviço e a sua missão de amar até ao fim, para que todos tenham vida e acolham a verdade (o amor de Deus). Este é, portanto, o desafio para todos nós: acreditar em Jesus e de seguir o seu exemplo no serviço desinteressado e no amor. Somente isto nos fará felizes.

SUGESTÃO DE CÂNTICOS

Entrada: Povo eleito, M. Faria, NCT 177; Aclamai a Deus, aclamai (J. Gomes) – CT 363; Anunciai com voz de júbilo (Az. Oliveira) – CEC I 165; Apresentação dos Dons: Não fiqueis tristes (J. Martins) – CT 760; Senhor, quebrastes os laços da morte (M. Simões) – IC 313; Comunhão: Vós sereis meus amigos; Jesus Cristo crucificado, M. Luís, NCT 195; Se cumprirdes os meus mandamentos (C. Silva) – CEC I 167; Final: Senhor, trazei-nos a paz (Az. Oliveira) – CPD 494; Rainha dos Céus, alegrai-vos (F. Silva) – IC 311

LEITURA ESPIRITUAL

«Eu pedirei ao Pai, que vos dará outro Paráclito, para estar sempre convosco: Ele é o Espírito da verdade»

«Deus é espírito» diz o Senhor à Samaritana; sendo Deus invisível, incompreensível e infinito, não será num monte nem num templo que Deus deverá ser adorado (Jo 4, 21-24). «Deus é espírito» e um espírito não pode ser circunscrito, nem contido; pela força da sua natureza, está em todo o lado e de local algum está ausente; está em todo o lado e em tudo superabunda. Por isso, é preciso adorar a Deus, que é espírito, no Espírito Santo. O apóstolo Paulo outra coisa não diz quando escreve: «O Senhor é o Espírito e onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade» (2Cor 3, 17). Cessem, portanto, os argumentos daqueles que recusam o Espírito. O Espírito Santo é um só e por todo o lado foi derramado, iluminando os patriarcas, os profetas e o coração de todos quantos participaram na redação da Lei; inspirou João Batista ainda no seio de sua mãe e, por fim, foi infundido nos apóstolos e em todos os crentes, para que conhecessem a verdade que lhes é dada na graça. Qual é ação do Espírito em nós? Escutemos as palavras do próprio Senhor: «Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender por agora. É melhor para vós que Eu vá, pois, se Eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas, se Eu for, Eu vo-lo enviarei. Quando Ele vier, o Espírito da Verdade, há de guiar-vos para a Verdade completa» (Jo 16, 7-13). São-nos reveladas, nestas palavras, a vontade do doador, assim como a natureza e o papel daquele que Ele nos dá. Porque a nossa fragilidade não nos permite conhecer o Pai nem o Filho; o mistério da encarnação de Deus é difícil de compreender. O dom do Espírito Santo, que se faz nosso aliado por sua intercessão, ilumina-nos. Ora, este dom único que está em Cristo é oferecido a todos em plenitude. Está presente em toda a parte e é dado a cada um de nós, tanto quanto O queiramos receber. O Espírito Santo permanecerá connosco até ao fim dos tempos. Ele é a nossa consolação na espera, é o penhor dos bens da esperança que há de vir, é a luz do nosso espírito e o esplendor da nossa alma. (Santo Hilário (c. 315-367), bispo de Poitiers, doutor da Igreja, A Trindade, 2, 31-35)

 
Redação: Padre Jorge Seixas e Padre Carlos Cunha
liturgia@diocesedeviseu.pt
© 2002-2026 SDPLV
View My Stats