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Domingo III da Quaresma | Ano A | 08 de março

JESUS É A ÁGUA DA VIDA QUE NOS PURIFICA E SACIA A NOSSA SEDE DE VIDA ETERNA 

A Liturgia da Palavra deste domingo é um convite à confiança e à perseverança, seguros na fidelidade de Deus ao seu povo e no seu desejo de conceder a vida a todos nós. A leitura do livro do Êxodo narra a atitude do povo que, por falta de água, começa a murmurar contra Moisés e a duvidar do Senhor. Neste contexto perturbador, Moisés expressa uma total confiança em Deus, que não O abandona no meio da grande missão que lhe confiou. O salmo, aludindo a esta passagem, é um apelo insistente para confiar plenamente no Senhor, não endurecer os nossos corações, não colocar Deus à prova. A Carta de São Paulo aos cristãos de Roma recorda-nos a plenitude que Cristo representa, pois para além de nos saciar com água, como pediam os israelitas no deserto, a sua entrega foi total. Ele deu-nos o Espírito Santo, derramando o seu amor nos nossos corações: embora sejamos pecadores, murmuremos contra Deus ou lhe voltemos as costas, Cristo morreu por todos. Na leitura do Evangelho, a mensagem subjacente que encaminha as leituras deste domingo atinge o ponto culminante, com a frase de Jesus: “Sou Eu, que estou a falar contigo”. É a manifestação de Jesus como Salvador, que vai além de qualquer necessidade material que possa ser satisfeita, à medida que estas reaparecem. Jesus é o nosso Salvador que sacia a profunda sede de vida que temos e que, no decorrer da nossa vida, vem ao nosso encontro para nos oferecer a água que dá a vida em letras maiúsculas, a vida eterna, que é Ele mesmo. Conta-se que um jovem entrou numa igreja de uma cidade para rezar a caminho da universidade. Enquanto o fazia, outra pessoa, sentada no banco, também fez o mesmo e, para surpresa do rapaz, começou a chorar sem esconder as lágrimas. O rapaz, chocado, pensou em se aproximar e perguntar o que se passava. Sentou-se ao lado da outra pessoa e disse-lhe: “Queres rezar comigo? Podemos rezar juntos”. A mulher respondeu entre lágrimas que não sabia rezar, que só se lembrava de algumas orações, mas que ia à igreja para encontrar alguma paz no meio de um contexto pessoal insuportável. Tinha tentado muitas coisas para encontrar paz, mas não conseguia: meditações, livros, exercícios físicos e mentais. Mas descobriu aquela igreja no meio da cidade, onde encontrava paz. Trocaram algumas palavras e o rapaz rezou por ela, encorajando-a a deixar os seus sofrimentos nas mãos do Bom Pastor, a imagem que presidia à igreja. A mulher, muito grata, explicou tudo o que lhe aconteceu e partilharam um momento de oração e de fraternidade. No meio do nosso contexto atual, de notícias que nos deprimem e envergonham, de estatísticas que nos desanimam, de situações pessoais complexas que nos oprimem ou de um ambiente muitas vezes difícil e pouco encorajador, também nós podemos perguntar, como os filhos de Israel no deserto: “O Senhor está ou não no meio de nós”? Mas o exemplo desta história de vida faz-nos perceber a imensa necessidade de água que tira toda a sede que as pessoas têm. Tantas vezes parece que a nossa sociedade quer virar as costas a Deus, murmurar e colocar o seu coração noutros deuses. Mas a experiência diz-nos que o nosso coração só se preenche com Deus, o Messias, nosso Salvador. A Quaresma é precisamente um tempo ideal para ter um diálogo sincero com o Senhor. Descobrir como Ele também vem ao nosso encontro nas circunstâncias da vida, com total empatia, porque Ele nos conhece e sabe o que estamos a viver. Como a mulher samaritana, renovemos o desejo de Deus (dá-me dessa água), recebamos a eternidade do Senhor (a fonte de água que brota para a vida eterna), deixemos que Deus atue nas profundezas do nosso ser (acender em nós o fogo do amor divino), e comtemplemos aquele Pai que tem sede de nós (Ele queria ter sede da fé daquela mulher). Encontremo-nos com Jesus, através dos sacramentos, especialmente da Eucaristia e da Reconciliação, que nos enche de paz e nos faz dizer, como os samaritanos: “Já não é por causa das tuas palavras que acreditamos. Nós próprios ouvimos e sabemos que Ele é realmente o Salvador do mundo”.

Sugestão de Cânticos
Entrada: Os meus olhos, M. Faria, BML 50, 12; Vós todos os que tendes sede (C. Silva) – OC 280; Olhai para mim, Senhor (M. Carneiro) – RBP 28; Ofertório: Desperta já a luz, M. Luís, NCT 494; Quem beber da água que Eu lhe der (A. Oliveira) – IC 533; É dura a caminhada (M. Faria) – IC 213; Comunhão: Aquele que beber, F. Santos, NCT 497; Bendito, Bendito sejas, Cristo meu Senhor (Popular Alentejano) – CEC II 220; Quem beber (M. Carneiro) – RBP 32; Final: Senhor cantarei eternamente (M. Luís) – NCT 330; Da morte e do pecado (J. Santos) – NCT 116.
Leitura Espiritual

«A água que Eu lhe der tornar-se-á nele uma nascente que jorra para a vida eterna»

Quando a Sagrada Escritura nos instrui sobre a realidade vivificante, quando nos fala através de profecias que emanam de Deus: «Eles abandonaram-Me, a Mim, fonte de água viva» (Jer 2,13), ou das palavras do Senhor à samaritana: «Se conhecesses o dom de Deus e quem é Aquele que te diz: “Dá-Me de beber”, tu é que Lhe pedirias e Ele te daria água viva», ou ainda: «Se alguém tem sede, venha a Mim e beba», porque: «Daquele que crê brotarão rios de água viva”. Dizia isto do Espírito que haveriam de receber os que nele cressem» (Jo 7,37.39) — a natureza divina é sempre designada como água viva. O testemunho verdadeiro do Verbo atesta que a Esposa do Cântico dos Cânticos (cf. Cant 4,15) é um poço de água viva, cuja corrente desce do Líbano. Haverá coisa mais paradoxal? Com efeito, todos os poços contêm uma água dormente; só a Esposa contém uma água que corre, tendo por isso, ao mesmo tempo, a profundidade do poço e a mobilidade do rio. Quem poderá exprimir convenientemente as maravilhas contidas nesta comparação! Não é possível elevá-la mais alto, porque ela se assemelha em tudo à beleza arquetípica, imitando na perfeição o brilho pelo seu brilho, a vida pela sua vida, a água pela sua água. O Verbo de Deus é vivo, e viva é também a alma que recebeu o Verbo. Esta água decorre de Deus, como diz a Fonte: «Saí de Deus e dele venho». E contém aquilo que flui no poço da alma, sendo por isso o reservatório desta água viva que corre, ou melhor, que brota do Líbano (cf. Cant 4,15). (São Gregório de Nisa (c. 335-395), monge, bispo, O poço de água viva)

Redação: Pe. Jorge Seixas liturgia@diocesedeviseu.pt
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