ADAP Admonições Audiovisuais Equipa Espiritualidade Formação Liturgia Sobre Zeladoras
Domingo XVII do Tempo Comum - Ano A - 26 de julho

SABER DISCERNIR NO AMOR DE DEUS

Percorremos um caminho de salvação onde nos é claramente mostrado o amor de Deus e a sua vontade de que cheguemos à sua presença, ao seu santuário, para habitar com Ele (cf. Antífona de Entrada). Este caminho requer certezas, indicações, auxílio e Deus esteve lá para nos dar o que precisávamos, através da ação do Espírito Santo, para alcançar os bens eternos (cf. Oração Coleta). Um requisito para agradar ao Senhor é pedir sabedoria, como fez Salomão, que não desejou longa vida, tesouros e riquezas. O que Salomão teria no seu coração quando ouviu Deus dizer: “Pede o que quiseres”? Salomão responde tendo em conta toda a história da salvação e o profundo amor que Deus demonstrou a seu pai David e a si próprio, desde a sua infância. Por isso, Salomão já se sentia rico e dirige-se ao Senhor com esta súplica: “Dai, portanto, ao vosso servo um coração inteligente, para governar o vosso povo, para saber distinguir o bem do mal”. Se Deus nos fizesse esta pergunta, o que lhe responderíamos? O Senhor faz-nos a mesma pergunta todos os dias e gostaria de nos responder da mesma maneira: “Dou-te um coração sábio e esclarecido, como nunca houve antes de ti nem haverá depois de ti”. Será necessário olhar para as profundezas do nosso coração, responder com alegria, viver os mandamentos de Deus e saber discernir em todos os momentos da nossa vida, distanciando-nos daqueles que se opõem ao seu amor e vontade. A resposta do salmista ao amor de Deus não podia ser outra: “Quanto amo, Senhor, a vossa lei”! Com este cântico, a comunidade cristã, neste domingo, faz suas as palavras do salmista para glorificar a Deus que nos ama. A conclusão é viver os Seus mandamentos, reconhecer que os Seus preceitos são admiráveis e que nos guiam, que o Seu amor nos conforta, que Ele nos mostra a Sua ternura. Em poucas palavras, pode-se dizer que este salmo nos dá os elementos suficientes para agradecermos ao Senhor o seu amor e a sua ternura. Por isso, neste domingo, rezamos: “fazei que este dom do seu amor infinito sirva para a nossa salvação” (Oração Depois da Comunhão). Portanto, o importante é dar respostas concretas depois de amar a Deus e de fazer um discernimento adequado. Na evolução do nosso progresso espiritual, somos convidados a reproduzir em nós mesmos (“em sermos conformes”) a “imagem do seu próprio Filho”. O Senhor dá-nos os elementos para o conseguirmos, pois prepara o terreno para alcançarmos este objetivo através de um processo específico: “àqueles que predestinou, também os chamou; àqueles que chamou, também os justificou; e àqueles que justificou, também os glorificou”. A predestinação, o chamamento, a justificação e a glorificação fazem parte do itinerário que o Senhor preparou para quem O seguir e, nesta aventura de amor, podermos procurar a pérola ou o tesouro precioso no campo. Para tal, é necessário saber discernir, saber escolher o correto. Por isso, rezamos ao Senhor: “Multiplicai sobre nós a vossa misericórdia, para que, conduzidos por Vós, usemos de tal modo os bens temporais que possamos aderir desde já aos bens eternos” (Oração Coleta) Devemos agir com sabedoria, ou seja, saber discernir, viver o valor fundamental da existência, vender tudo para guardar o que realmente nos faz viver e caminhar para a santidade, como diz a Oração Sobre as Oblatas: “que estes sagrados mistérios, por obra da vossa graça, nos santifiquem na vida presente e nos conduzam às alegrias eternas”. Só assim, um dia, estaremos diante da majestade e do amor de Deus para que, uma vez escolhida a vida eterna, possamos entrar para habitar com Ele no seu reino. Saibamos estar vigilantes para descobrir os verdadeiros valores do reino que Ele nos anuncia e optar decisivamente por eles.

SUGESTÃO DE CÂNTICOS

Entrada: Deus vive na sua morada, F. Santos, NCT 217; Vinde à presença de Deus (M. Carneiro)  CEC II 85; Apresentação dos Dons: Bendito sejais, Senhor, nosso Deus (Az. Oliveira) – IC 396; Dai-me, Senhor, um coração puro (F. Santos) – XXXIII ENPL, 56; Comunhão: A minha alma, F. Santos, NCT 254; Felizes os convidados, M. Luís, NCT 264; Felizes os puros de coração (A. Cartageno) – CEC II 86; Buscai o alimento (M. Luís) – CAC 382; Final: Vós, Senhor, sois (C. Silva) – OC 278; Louvado seja o meu Senhor (J. Santos) – NCT 283.

LEITURA ESPIRITUAL

A pérola de grande valor 

Ao homem «que procura pérolas preciosas», apliquemos aquelas palavras: «Procurai e achareis» e «quem procura, encontra» (Mt 7,7-8). Com efeito, «procurai» e «quem procura, encontra» só pode referir-se às pérolas, em particular à pérola adquirida pelo homem que tudo deu e tudo perdeu. Foi por causa desta pérola que Paulo disse: «Aceitei perder tudo para ganhar Cristo» (Fl 3,8); este «tudo» são as pérolas preciosas, e «ganhar Cristo» é uma referência a essa pérola única «de grande valor». Preciosa, seguramente, é a lamparina para quem se encontra nas trevas e dela tem necessidade até ao nascer do sol. Preciosa também é a glória resplandecente no rosto de Moisés (2Cor 3,7), bem como no rosto dos outros profetas; e bonita de ver, porque nos ajuda a seguir em frente até que possamos contemplar a glória de Cristo, da qual o Pai dá testemunho dizendo: «Este é o meu Filho muito amado em quem pus toda a minha complacência» (Mt 3,17). «Comparada com esta glória eminentemente superior, a glória do primeiro ministério desvaneceu-se» (2Cor 3,10). Temos necessidade, num primeiro tempo, de uma glória suscetível de desaparecer perante a «glória que ultrapassa tudo», tal como temos necessidade «de um conhecimento parcial», que «desaparecerá quando vier o que é perfeito» (1Cor 13,9s). Assim, toda a alma que está ainda na infância e caminha «para a perfeição da idade adulta» (Hb 6,1) precisa de ser ensinada, envolvida e acompanhada até nela se instaurar «a plenitude dos tempos» (Gl 4,4). No fim, alcançará a maioridade e receberá o seu património: a pérola de grande valor, «o que é perfeito e faz desaparecer o que é parcial» (1Cor 13,10); alcançará esse bem que ultrapassa tudo: o conhecimento de Cristo (cf. Fl 3,8). Mas muitos não compreendem a beleza das numerosas pérolas da Lei e do «conhecimento parcial» divulgado por todos os profetas; imaginam, erradamente, que, sem terem compreendido a Lei e os profetas, poderão encontrar a única pérola de grande valor, que é a compreensão plena do Evangelho e todo o sentido dos atos e das parábolas de Jesus Cristo. (Orígenes (c. 185-253), presbítero, teólogo, Comentário ao evangelho de Mateus, 10, 9-10)

 

Este website utiliza cookies para melhorar a qualidade dos nossos serviços. Ao continuar a navegação está a aceitar a sua utilização.

Redação: Padre Jorge Seixas e Padre Carlos Cunha

liturgia@diocesedeviseu.pt

© 2002-2026 SDPLV

View My Stats