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Domingo IV da Páscoa -  Ano A - 26 de abril

JESUS RESSUSCITADO É O PASTOR QUE DÁ VIDA AO POVO QUE AMA 

O quarto domingo da Páscoa convida-nos a fixar o olhar na figura de Jesus como pastor, um pastor que dá vida ao povo que ama. As leituras bíblicas continuam na temática pascal. Assim, na primeira leitura dos Atos dos Apóstolos, encontramos o apóstolo Pedro, no dia de Pentecostes, a afirmar o cumprimento das Escrituras em Cristo ressuscitado, o que nos convida à conversão e a receber o batismo que nos purifica dos nossos pecados. Assim começaram a nascer as primeiras comunidades cristãs. Na segunda leitura, São Pedro fala-nos dos sofrimentos da paixão de Cristo pela nossa redenção. Convidava a todos a viver como justos, numa época em que os primeiros cristãos sofriam dificuldades e perseguições. No entanto, o apóstolo faz-nos ver a realidade que recebemos pelo batismo: se antes estávamos perdidos, à deriva, agora fazemos parte do rebanho daquele que é nosso pastor e protetor: Cristo. O Evangelho deste domingo é o início de um discurso de Jesus aos discípulos que tem duas partes, separadas por uma observação do evangelista sobre a incompreensão dos discípulos. A primeira parte apresenta um quadro simbólico, e a segunda desenvolve, em duas etapas, dois dos elementos deste quadro simbólico: a porta e o pastor. Este ano somos convidados a olhar para a interpretação que Jesus faz da porta; iremos falar sobre o pastor no próximo ano. O quadro bucólico que Jesus pinta, apesar de familiar aos discípulos, não é compreendido por eles. É necessário interpretar os elementos utilizados: por um lado, o redil, com a porta, a ovelha e o porteiro; por outro, os personagens que entram no redil. No início e no fim, aparecem os ladrões e salteadores: um ladrão e um estranho. Estes são os inimigos das ovelhas, e não nos diz quem são. Assim, a sua identidade permanece em aberto. No centro, aparece aquele que é bom: o pastor, cuja identidade nos será revelada mais tarde. Jesus entra pela porta, não faz mal a ninguém, não se esconde de ninguém. Jesus é o amigo que procura a liberdade das ovelhas, porque não quer estabelecer laços baseados na dependência, mas no amor e na liberdade. As ovelhas representam o povo que Deus criou com o seu amor. Jesus chama as ovelhas pelo nome, para que reconheçam que é o próprio Deus que as chama, que quer libertá-las e estabelecer laços de amor com elas: “eis o que diz o Senhor, o que te criou, ó Jacob, o que te formou, ó Israel: Nada temas, porque Eu te resgatei, e te chamei pelo teu nome; tu és meu”, diz o Senhor pela boca do profeta Isaías (43,1). O nome é equivalente à própria existência. Jesus tocou a existência de todas as ovelhas que O seguem. É por isso que, depois de tê-las tirado do redil, Jesus caminha diante delas. Não nos diz para onde, mas entende-se que é para o Pai, a fonte da qual brota a vida para sempre. Jesus tira as ovelhas do curral (empurra-as para fora, diz o original grego), tal como faz com Lázaro, a quem chama e “empurra” para fora do sepulcro. O curral representa a teimosia do povo de Deus em acreditar e conhecer Jesus. Acreditar em Jesus é viver; por isso é que Lázaro é expulso da morte. Jesus é a porta das ovelhas. Jesus é o acesso às ovelhas e, por sua vez, é também por onde as ovelhas devem passar se quiserem segui-Lo. Jesus é o acesso à vida, à felicidade, à casa do Pai. Jesus é o acesso à liberdade. Em Jesus, o cristão encontra autêntica liberdade e autêntica felicidade. A Eucaristia é a porta para o Pai. Que a nossa participação na Eucaristia deste domingo nos empurre para fora do redil, ou seja, de tudo o que nos impede de seguir Jesus.

Sugestão de Cânticos
Entrada: Na sua dor, M. Luís, NCT 173; A bondade do Senhor (A. Cartageno) – CEC I 154; O nosso Deus é Deus de amor (M. Faria) – IC 304; Ofertório: Glória a Vós, ó Cristo, M. Luís, NCT 192; Victimae Paschali laudes, c. greg., NCT 202; Ressuscitou o Bom Pastor (M. Luís) – CEC I 155; Eu sou a porta (A. Cartageno) – KHC II 580; Comunhão: Jesus Cristo, ó Porta do Reino, F. Santos, NCT 110; Deus é Bom Pastor, M. Luís, NCT 194; Eu vim para que tenham vida (F. Silva) – CEC II 131; Eu sou o Bom Pastor (C. Silva) – CEC I 156; Final: Cantai comigo, povos da terra (H. Faria) – CPD 98; Louvai todos o nome do Senhor (M. Luís) – NCT 165.
Leitura Espiritual

O porteiro do Céu 

(Santa Catarina de Sena ouviu Deus dizer-lhe): Quem não obedecer não pode entrar na vida eterna. Sem a obediência, ficará de fora; a obediência é a chave com a qual foi aberta a porta que tinha sido fechada pela desobediência de Adão. Levado pela minha bondade infinita, não podendo conceber que o homem que Eu tanto amava não tivesse como seu fim último o regresso a Mim, tomei a chave da obediência e pu-la nas mãos do doce Verbo de amor, minha verdade, que coloquei como porteiro do Céu. É Ele que abre essa porta. Sem esta chave e este porteiro, ninguém pode entrar. Foi isso que Ele vos ensinou no seu evangelho quando vos disse que ninguém pode vir a Mim, o Pai, a não ser por Ele (cf. Jo 14,6). Quando deixou a companhia dos homens para regressar para junto de Mim, subindo ao Céu, deixou-vos esta chave preciosa que é a obediência. Já te disse que é uma chave que abre o Céu, e que Ele confiou às mãos do seu vigário. Este vigário entrega-a a cada um de vós quando, na receção do batismo, vos comprometeis a renunciar ao demónio, ao mundo, às suas pompas e aos seus prazeres. Por esta promessa de submissão, recebeis a chave da obediência, possuindo-a cada um de vós para seu uso próprio, a mesma chave que o meu Verbo utilizou. Se o homem não se deixar guiar pela luz da fé e a mão do amor para abrir a porta do Céu com esta chave, não poderá entrar, apesar de o meu Verbo já ter aberto a porta. (Santa Catarina de Sena (1347-1380), terceira dominicana, doutora da Igreja, copadroeira da Europa, Sobre a obediência, cap. I-II, nn. 154-155)

 
Redação: Padre  Jorge Seixas e Padre Carlos Cunha
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