COM A SEMENTE DE DEUS, GERAR FRUTOS DE SANTIDADE
No domingo passado, a Palavra de Deus falava-nos de uma vida segundo o Espírito para alcançar a salvação, ou seja, Deus conduz-nos com amor para vivermos de acordo com o Evangelho. Neste domingo, a Palavra de Deus fala-nos sobre os meios pelos quais recebemos a sua ajuda para continuarmos neste caminho de salvação. O poder da Palavra tem, para Isaías, uma forte semelhança com o poder da natureza, como nos diz na primeira leitura: “como a chuva e a neve que descem do céu não voltam para lá sem terem regado a terra, sem a terem fecundado e feito produzir”. A ação da chuva sobre a terra é poderosa porque a fertiliza e a faz germinar. A imagem apresentada pelo profeta é também muito forte quando comparada com a Palavra de Deus que se pronuncia sobre a criação e, em particular, sobre o homem, que deve dar fruto ouvindo a Palavra. A resposta do homem à Palavra de Deus encontra-se no Salmo 64, que desenvolve o tema do cuidado de Deus com a terra: “Assim preparais a terra; regais os seus sulcos e aplanais as leivas… por onde passastes brotou a abundância”. Assim, uma vez descrito o cuidado amoroso de Deus pela terra, as criaturas louvam o Senhor por tudo o que Ele faz. Façamos nosso este cântico de louvor por tudo o que o Senhor nos oferece. Jesus explica o poder do amor de Deus e da Sua Palavra de uma forma simples, usando parábolas que são facilmente compreendidas pelas pessoas. No Evangelho, a comparação que Jesus usa é a de um semeador que saiu para semear e os grãos que semeia compara com a Palavra de Deus que cai em terrenos diferentes para explicar o acolhimento das pessoas. Uns, ouvem a palavra do Reino e não a compreendem. Outros, ouvem a palavra e aceitam-na imediatamente com alegria, mas não a deixam criar raízes. Uns ouvem a palavra, mas os cuidados da vida e a sedução das riquezas sufocam-na. Outros ouvem a palavra, compreendem-na e dão fruto. O interessante é que em todas as quatro comparações a semente cai, o que significa que as pessoas “ouvem” a Palavra. No entanto, o acolhimento não é o mesmo, pelo que é essencial usar as capacidades que Deus nos deu para podermos dar fruto. Por isso, Jesus afirma: “ouvindo ouvireis, mas sem compreender; olhando olhareis, mas sem ver”. Mas, reconhece a capacidade dos discípulos e diz-lhes: “felizes os vossos olhos porque veem e os vossos ouvidos porque ouvem”! Agora, podemos afirmar que Deus nos dá todos os elementos para responder a Ele e dar frutos. A Igreja está consciente disto, rezando ao Pai dizendo: “mostrais aos errantes a luz da vossa verdade para poderem voltar ao bom caminho” (Oração Coleta). Como diz São Paulo, “eu penso que os sofrimentos do tempo presente não têm comparação com a glória que se há de manifestar em nós”. Somos chamados a viver na presença de Deus e a evitar a confusão do mundo e a “rejeitar tudo o que é indigno deste nome” (Oração Coleta), de cristãos, e a “seguirmos fielmente as exigências da fé”, para que a nossa condição se realize plenamente. O resultado é dar frutos de santidade, pois, pondo em prática a Palavra e recebendo os dons da graça, podemos “crescer na santidade” (cf. Oração Sobre as Oblatas). Deste modo, o cristão, que participa na celebração, ouve a Palavra, põe-na em prática e, ao recebê-la, manifesta-se a força da ação de Deus, como proclama a Eucaristia: “Senhor, que nos alimentais à vossa mesa santa, humildemente Vos suplicamos: sempre que celebramos estes mistérios, aumentai em nós os frutos da salvação” (Oração Depois da Comunhão). Que a Palavra de Deus penetre, gota a gota, nas nossas vidas, para que a mensagem salvífica de Jesus Cristo nos trespasse totalmente, e cada um de nós produza frutos de santidade. |