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Domingo XXV do Tempo Comum - Ano A - 20 de setembro

O “EXCEL” DE DEUS: A LÓGICA DO AMOR 

Jesus sabe que a parábola que lemos neste domingo não está de acordo com a justiça do trabalho humano; por isso, gera protestos naquele tempo e também hoje. O que Jesus pretende destacar? Quer ressaltar que Deus tem uma lógica diferente da nossa lógica humana. A primeira leitura de Isaías já anuncia isto: “os meus pensamentos não são os vossos, nem os vossos caminhos são os meus”. Vejamos o conteúdo da parábola. Várias vezes, Jesus apresenta Deus como um proprietário que envia trabalhadores para a sua vinha. Há aqui um aspeto a sublinhar: não são os trabalhadores que se oferecem, o proprietário é quem tem a iniciativa de os enviar. Envia-os para trabalhar. No final do dia, o proprietário dá a todos o mesmo salário, aos que começaram “muito cedo” e aos que começaram “ao cair da tarde”. Deus é o mestre que nos envia homens e mulheres para trabalhar, isto é, para viver de uma forma honesta, para viver uma vida de confiança em Deus e de amor generoso e pacífico entre os nossos irmãos e irmãs, para perdoar, para construir um mundo de justiça, paz e amor. E no final do dia dá a todos o mesmo salário: o de um dia. Este salário diário é o símbolo do dom de Deus aos homens e mulheres que vivem segundo a vontade do Pai: este dom é a vida plena em Deus, na eternidade de uma comunhão viva e alegre. Numa simples parábola, Jesus destaca os dois pontos da sua mensagem. Deus ama os homens e as mulheres, seus filhos, e os chama a viver Nele, no amor, na confiança, na paz de acordo com o plano de Deus. Cada um no seu lugar e no seu tempo, prepara uma imensa plenitude, a vida plena em Deus. Deus dá esta plenitude àqueles que souberam trazer paz e amor. Este é o mistério de Deus que chama todos os homens e mulheres do mundo ao amor ilimitado e possível, à paz, ao perdão, preparando uma plenitude eterna. E nesta perspetiva, trabalhar na vinha, é termos a graça e a possibilidade de poder amar, perdoar e construir a paz. A segunda leitura mostra-nos a intimidade mística de Paulo, que contém o mistério expresso na parábola. Paulo deseja a plena comunhão com o Senhor, o salário de um dia, a imensa e imerecida comunhão. Mas, ao mesmo tempo, sabe que tem diante de si o trabalho quotidiano, ou seja, a missão para a qual o Senhor o envia para o bem dos irmãos. E nesta tensão mística, Paulo escolhe seguir a obra da missão de evangelização. Sem esquecer que esta missão é já uma antecipação da comunhão viva e plena com o Senhor que o Pai preparou para Ele. Como é difícil aceitar a parábola de hoje! Quantos cristãos se sentem como aqueles trabalhadores madrugadores que pensam que estão enganados! Porque, se no final a recompensa é a mesma, por que começar a trabalhar tão cedo? Por vezes, as nossas relações são meramente comerciais, resumimos tudo em números. Mas Deus não é assim. Recordemos a célebre frase do Cardeal Van Thuan: Deus não conhece a matemática! O que está aqui em causa não é algo que possa ser medido ou contabilizado. O prémio, a recompensa que o Senhor dá, é o facto de poder usufruir do trabalho na sua vinha, de fazer parte da sua família. Este prémio está ligado à evolução e à fidelidade à vocação para a qual Deus nos chamou: o médico que cuida dos pacientes com amor, o professor que ensina com entusiasmo e paciência, ou a mãe que cuida dos seus filhos e do seu lar desde o amanhecer até ao anoitecer. Agradeçamos a Deus a vocação para a qual nos chamou. Pensemos se nos sentimos vazios, se essa falta de bem-estar não é porque o Senhor nos chamou a trabalhar na sua vinha, na paróquia ou em qualquer outro campo de ação, e ainda não respondemos ao seu chamamento. Deus não é um contabilista. Deus não conhece a matemática, pois é capaz de deixar noventa e nove ovelhas para salvar uma. Ele recompensa o esforço da mesma forma para aquele que trabalha na sua vinha desde a infância como para aquele que acaba de chegar. Esta é a lógica do Senhor, a lógica do amor.

SUGESTÃO DE CÂNTICOS

Entrada: Vós sois o meu Deus, F. Santos, NCT 230; Servi o Senhor com alegria, Borges de Sousa, NCT 228; Eu sou a salvação do meu povo (F. santos) – CEC II 117, Darei ao meu povo a salvação (A. Cartageno) – CEC II 119; Apresentação dos Dons: Onde haja caridade e amor (M. Luís) – CT 135; Eu Vos procuro, Senhor (F. Santos) – LHC 114; Comunhão: O Senhor é meu Pastor, F. Santos, NCT 268; Aproximai-vos do Senhor (F. Silva) – NCT 375; O Cordeiro de Deus é o nosso Pastor (C. Silva) – CEC II 121; Final: Quem quiser ser grande (M. Luís) – NCT 555; Louvemos o Senhor (M. Luís) – NCT 285.

LEITURA ESPIRITUAL

«Ide vós também para a minha vinha» 

O Senhor não deixa, em tempo algum, de enviar trabalhadores para cultivarem a sua vinha: através dos patriarcas, dos doutores da Lei e dos profetas e, finalmente, através dos apóstolos, Ele procurava, por assim dizer, que a sua vinha fosse cultivada pelos seus trabalhadores. Todos aqueles que a uma fé firme juntaram boas obras foram trabalhadores dessa vinha. Os trabalhadores contratados ao nascer do dia, à hora terceira, à sexta e à nona designam, portanto, o povo hebraico, que, aplicando-se desde o começo do mundo a prestar culto a Deus com fé firme, não parou, por assim dizer, de se empenhar no cultivo da vinha. Porém, à décima primeira hora, foram chamados os pagãos, a quem foram dirigidas estas palavras: «Porque ficais aqui todo o dia sem trabalhar?» De facto, ao longo de todo aquele tempo por que o mundo passou, os pagãos tinham negligenciado o trabalho que leva à vida eterna, e passavam o dia inteiro sem nada fazer. Mas reparai bem, irmãos, o que respondem à pergunta que lhes é feita: «Ninguém nos contratou». De facto, nem patriarca nem profeta algum se aproximara deles. Dizer: «Ninguém nos contratou para trabalhar» significa: «Ninguém nos pregou os caminhos da vida». E nós, que invocaremos como desculpa se nos abstivermos de realizar boas obras? Pensai bem: nós recebemos a fé ao sair do seio da nossa mãe, escutamos as palavras de vida desde o berço e fomos alimentados ao peito da Santa Igreja, dela bebendo, ao mesmo tempo que o leite materno, o néctar da doutrina celeste. (São Gregório Magno (c. 540-604), papa, doutor da Igreja, Homilias sobre o Evangelho, n° 19)

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Redação: Padre Jorge Seixas e Padre Carlos Cunha

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