JESUS É A ÁGUA DA VIDA QUE NOS PURIFICA E SACIA A NOSSA SEDE DE VIDA ETERNA
A Liturgia da Palavra deste domingo é um convite à confiança e à perseverança, seguros na fidelidade de Deus ao seu povo e no seu desejo de conceder a vida a todos nós. A leitura do livro do Êxodo narra a atitude do povo que, por falta de água, começa a murmurar contra Moisés e a duvidar do Senhor. Neste contexto perturbador, Moisés expressa uma total confiança em Deus, que não O abandona no meio da grande missão que lhe confiou. O salmo, aludindo a esta passagem, é um apelo insistente para confiar plenamente no Senhor, não endurecer os nossos corações, não colocar Deus à prova. A Carta de São Paulo aos cristãos de Roma recorda-nos a plenitude que Cristo representa, pois para além de nos saciar com água, como pediam os israelitas no deserto, a sua entrega foi total. Ele deu-nos o Espírito Santo, derramando o seu amor nos nossos corações: embora sejamos pecadores, murmuremos contra Deus ou lhe voltemos as costas, Cristo morreu por todos. Na leitura do Evangelho, a mensagem subjacente que encaminha as leituras deste domingo atinge o ponto culminante, com a frase de Jesus: “Sou Eu, que estou a falar contigo”. É a manifestação de Jesus como Salvador, que vai além de qualquer necessidade material que possa ser satisfeita, à medida que estas reaparecem. Jesus é o nosso Salvador que sacia a profunda sede de vida que temos e que, no decorrer da nossa vida, vem ao nosso encontro para nos oferecer a água que dá a vida em letras maiúsculas, a vida eterna, que é Ele mesmo. Conta-se que um jovem entrou numa igreja de uma cidade para rezar a caminho da universidade. Enquanto o fazia, outra pessoa, sentada no banco, também fez o mesmo e, para surpresa do rapaz, começou a chorar sem esconder as lágrimas. O rapaz, chocado, pensou em se aproximar e perguntar o que se passava. Sentou-se ao lado da outra pessoa e disse-lhe: “Queres rezar comigo? Podemos rezar juntos”. A mulher respondeu entre lágrimas que não sabia rezar, que só se lembrava de algumas orações, mas que ia à igreja para encontrar alguma paz no meio de um contexto pessoal insuportável. Tinha tentado muitas coisas para encontrar paz, mas não conseguia: meditações, livros, exercícios físicos e mentais. Mas descobriu aquela igreja no meio da cidade, onde encontrava paz. Trocaram algumas palavras e o rapaz rezou por ela, encorajando-a a deixar os seus sofrimentos nas mãos do Bom Pastor, a imagem que presidia à igreja. A mulher, muito grata, explicou tudo o que lhe aconteceu e partilharam um momento de oração e de fraternidade. No meio do nosso contexto atual, de notícias que nos deprimem e envergonham, de estatísticas que nos desanimam, de situações pessoais complexas que nos oprimem ou de um ambiente muitas vezes difícil e pouco encorajador, também nós podemos perguntar, como os filhos de Israel no deserto: “O Senhor está ou não no meio de nós”? Mas o exemplo desta história de vida faz-nos perceber a imensa necessidade de água que tira toda a sede que as pessoas têm. Tantas vezes parece que a nossa sociedade quer virar as costas a Deus, murmurar e colocar o seu coração noutros deuses. Mas a experiência diz-nos que o nosso coração só se preenche com Deus, o Messias, nosso Salvador. A Quaresma é precisamente um tempo ideal para ter um diálogo sincero com o Senhor. Descobrir como Ele também vem ao nosso encontro nas circunstâncias da vida, com total empatia, porque Ele nos conhece e sabe o que estamos a viver. Como a mulher samaritana, renovemos o desejo de Deus (dá-me dessa água), recebamos a eternidade do Senhor (a fonte de água que brota para a vida eterna), deixemos que Deus atue nas profundezas do nosso ser (acender em nós o fogo do amor divino), e comtemplemos aquele Pai que tem sede de nós (Ele queria ter sede da fé daquela mulher). Encontremo-nos com Jesus, através dos sacramentos, especialmente da Eucaristia e da Reconciliação, que nos enche de paz e nos faz dizer, como os samaritanos: “Já não é por causa das tuas palavras que acreditamos. Nós próprios ouvimos e sabemos que Ele é realmente o Salvador do mundo”. |