«Eis o dia que o Senhor fez» (Sl 117,24)
Deixemos irromper a nossa alegria, meus irmãos, hoje como ontem. Apesar de as sombras da noite terem interrompido o nosso regozijo, o dia santo não terminou: a claridade que a alegria do Senhor espalha é eterna. Cristo iluminou-nos ontem e ainda hoje a sua luz resplandece. «Jesus Cristo é o mesmo ontem e hoje» (Hb 13,8). Sim, para nós, Cristo fez-Se dia. Para nós, Ele nasceu hoje, como anuncia Deus Seu Pai pela voz de David: «Tu és meu filho; Eu hoje Te gerei» (Sl 2,7). Que significa isto? Que Ele não gerou o seu filho um dia, mas O gera dia e noite. Sim, Cristo é nosso hoje: esplendor vivo e sem declínio, Ele não cessa de inflamar o mundo que sustém (Hb 1,3), e este clarão eterno parece ser apenas um dia. «A teus olhos, mil anos são como um só dia», exclama o profeta (Sl 89,4). Sim, Cristo é este dia único, porque única é a eternidade de Deus. Ele é o nosso hoje: o passado, desaparecido, não Lhe escapa; o futuro, desconhecido, não tem segredos para Ele. Luz soberana, Ele tudo abraça, tudo conhece, está presente em todos os tempos e possui-os todos. Perante Ele, o passado não pode ruir nem o futuro esquivar-se. Este hoje não é o tempo em que, segundo a carne, Ele nasceu da Virgem Maria, nem aquele em que, segundo a divindade, Ele sai da boca de Deus seu Pai, mas o tempo em que ressuscitou dos mortos: «Ele ressuscitou Jesus», diz o apóstolo Paulo, «conforme está escrito no salmo II: “Tu és meu filho; Eu hoje Te gerei”» (At 13,33). Na verdade, Ele é o nosso hoje quando, saído da densa noite dos infernos, incendeia os homens. Ele é o nosso dia, aquele que as negras conspirações dos seus inimigos não puderam obscurecer. Nenhum dia soube melhor do que este acolher a sua luz: Ele deu o dia e a vida a todos os mortos. A velhice tinha atirado os homens para a morte; Ele ergueu-os no vigor do seu hoje. (São Máximo de Turim (?-c. 420), bispo, Sermão 36; PL 57, 605) |