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Domingo XVI do Tempo Comum - Ano A - 19 de julho

DEUS MANIFESTA O SEU PODER NO PERDÃO E NA BONDADE 

Neste domingo, os textos bíblicos colocam-nos diante de uma realidade muito concreta: Deus faz bem todas as coisas; no entanto, a ação do mal pode fazer-nos pensar de maneira diferente, se não compreendermos a ação divina. Tudo o que Deus criou mantém-se vivo, através do seu amor cuidadoso e misericordioso. Podemos afirmar que a primeira leitura deste domingo é um cântico de louvor que se resume nestas palavras: “Não há Deus, além de Vós, Senhor, que tenha cuidado de todas as coisas”. O autor reconhece que Deus é único e poderoso e chama a atenção que Ele revela a sua força e o seu poder de uma maneira peculiar: “Vós, o Senhor da força, julgais com bondade e governais-nos com muita indulgência”, ou seja, o seu poder é a sua misericórdia. Deus manifesta o seu poder no perdão e na bondade. É uma imagem muito bonita: Deus é uno e universal para todos, exerce o seu poder com amor, revela o seu poder com a prática do perdão. A sua soberania, porque é universal, é justa e podemos continuar nesta convicção de amor e de fé em Deus Criador: Ele atua na sua criação. Ele é o Senhor de todos, protege e sustenta as suas criaturas, porque “se se esquece Deus, a própria criatura se obscurece” (GS 36). Neste domingo, cantamos com o salmo responsorial: “Vós, Senhor, sois bom e indulgente”. Depois da afirmação feita pelo autor do Livro da Sabedoria, o salmo louva e aclama o “Deus bondoso e compassivo, paciente e cheio de misericórdia e fidelidade”. O salmista sente-se abençoado e amado por Deus, porque ouve a sua oração e responde rapidamente à sua súplica; assim, devemos sentir e saber que somos amados e ouvidos por Deus. Uma expressão clara da bondade divina é a Sua ajuda permanente aos Seus filhos. A maneira de amar de Deus e de estar perto de nós é muito variada. Na segunda leitura deste domingo, São Paulo oferece-nos uma belíssima explicação: “O Espírito Santo vem em auxílio da nossa fraqueza… intercede por nós com gemidos inefáveis”. A linguagem do amor exprime-se com aqueles gemidos inefáveis, pois o Espírito conhece a nossa fraqueza e sabe quais são as nossas capacidades para alcançar determinados objetivos. Estando em nós e conhecendo-nos, Ele pode aceder à intimidade de Deus para apresentar convenientemente as nossas súplicas, necessidades e anseios a Ele. O Espírito de Deus geme dentro de nós e reza connosco pela nossa libertação. Por isso, neste domingo, a Igreja, consciente do amor e da ajuda divina, reza assim ao Pai: “multiplicai em nós os dons da vossa graça, para que, fervorosos na fé, esperança e caridade, perseveremos na fiel observância dos vossos mandamentos” (Oração Colecta). Deste modo, podemos ter a certeza de que contamos sempre com a ajuda do Espírito e com a oração incessante da Igreja. O tema da sementeira continua neste domingo, mas agora adquire uma nota particular, pois o semeador semeou boa semente no seu campo, mas o inimigo semeou joio. A ordem do Senhor é deixar o trigo e o joio crescerem juntos, porque, ao arrancar o joio, poderão também arrancar o trigo; o importante é saber esperar, porque só quando se tem a paciência de Deus é possível acertar nos juízos. A paciência divina é um dom muito necessário para todos. A presença do mal é um tremendo mistério que não pode ser compreendido, e só podemos dizer que o mal é a ausência do bem. Não tenhamos pressa em arrancar o joio. O tempo acaba por colocar cada um no seu lugar, e no final, no dia do juízo, ver-se-á, realmente, quem é trigo e quem é joio. Enquanto isso, o trigo e o joio, o bem e o mal, a graça e o pecado, coexistem no mundo e uns nos outros. Servir não é ceifar nem separar. Que Deus, lento para ira e rico de misericórdia, nos conceda ser uma boa semente para depois vivermos no seu Reino.

SUGESTÃO DE CÂNTICOS

Entrada: Eu venho, Senhor, F. Santos, NCT 218 ou A. Cartageno, ENPL XII, 31; Vós sois o meu Deus, F. Santos, NCT 230; Cantarei ao Senhor (F. Silva) – NCT 212; Deus, vem em meu auxílio (F. Santos) – CEC II 81; Apresentação dos Dons: Subam até Vós (M. Luís) – CT 87; Aceitai-nos, ó Senhor (M. Luís) – CAC 364; Comunhão: O Senhor misericordioso, M. Luís, NCT 607; Eu estou à porta, C. Silva, NCT 260 ou CEC II 82; É Cristo quem nos convida (C. Silva) – CT 107; Final: Recebestes um Espírito (C. Silva) CEC II 163; Louvai todos o nome do Senhor (M. Luís) – NCT 165.

LEITURA ESPIRITUAL

«Até ficar tudo levedado» 

Se amassarmos a farinha sem lhe misturarmos fermento, bem podemos amassá-la, batê-la e trabalhá-la, que a massa não fermentará nem servirá para comer. Mas, quando lhe misturamos fermento, este faz levedar e crescer toda a massa, como na comparação que o Senhor aplicou ao Reino. Assim é com a carne: por muito cuidado que tenhamos, se não lhe deitarmos sal para que se conserve, começará a cheirar mal e tornar-se-á imprópria para consumo. Imagina, pois, que toda a humanidade é massa ou carne, e que a natureza divina do Espírito Santo é o sal e o fermento que vêm do outro mundo. Se o fermento celeste do Espírito e o sal bom da natureza divina não forem introduzidos na natureza humana humilhada e com ela misturados, nunca a alma perderá o mau odor do pecado, nem levedará, perdendo o peso e o defeito do «fermento da malícia» (1Cor 5,7). Se a alma se apoiar apenas nas suas próprias forças e se se crer capaz de tudo conseguir sem a ajuda do Espírito, engana-se redondamente; ela não está feita para as moradas do céu, não está feita para o Reino. Se o pecador não se aproximar de Deus, se não renunciar ao mundo, se não esperar na esperança, e se a paciência for um bem estranho à sua natureza própria, que é a força do Espírito Santo, se o Senhor não impregnar, do alto, a sua própria vida nessa alma, nunca tal homem provará a verdadeira vida. Pelo contrário, se tiver recebido a graça do Espírito, se dele não se afastar, se não O desgostar com a sua negligência e as suas más ações, se, perseverando longamente no combate, não ofender o Espírito (cf. Ef 4,30), terá a felicidade de obter a vida eterna. (Homilia atribuída a São Macário (?-390), monge do Egito, n° 24, 4; PG 34, 662)

 

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Redação: Padre Jorge Seixas e Padre Carlos Cunha

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