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DOMINGO DE PÁSCOA - ANO A - 05 DE ABRIL

ACREDITAR É TAMBÉM RESSUSCITAR 

Em Domingo de Páscoa, somos convidados a proclamar a nossa Fé em Cristo Ressuscitado. Trata-se de afirmar que Ele é Deus com o Pai. Apesar disso, morreu e ressuscitou, e a nova existência de Jesus permite-lhe estar junto de Deus Pai e junto dos seus discípulos, a quem prometeu acompanhar até ao fim dos tempos. Trata-se da grande afirmação de Fé da Igreja. A afirmação de que Cristo ressuscitou resulta do reconhecimento de que n’Ele estava Deus. É tão difícil falar da Ressurreição de Jesus, como da sua humanidade e divindade. Para os Apóstolos não foi fácil acreditar na ressurreição, porque não conseguiam digerir o escândalo da morte na cruz. Foi necessário que o próprio Ressuscitado lhes desse sinais da nova existência para não os perder em desânimo. Pedro e o outro Apóstolo, que é João, correram para o sepulcro, viram-no vazio e acreditaram. Acreditaram com inquietação, pois diz o Evangelho que, “na verdade, ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos”. Entretanto, na primeira leitura, dos Atos dos Apóstolos, o Apóstolo Pedro oferece-nos um forte testemunho: anuncia que Jesus de Nazaré morreu na cruz, foi sepultado, mas ressuscitou ao terceiro dia. A postura de Pedro, com todo o entusiasmo, contrasta com a timidez e fragilidade que o levou a negar a sua pertença ao grupo de Jesus, conforme consta na narração da Paixão. Algo de especial aconteceu para agora se encontrar a pregar tão destemidamente. Podemos afirmar que o Apóstolo Pedro também passou da morte à vida, e o mesmo aconteceu com os seus companheiros. Pedro testemunha a Ressurreição com esta afirmação: os que escutarem a Palavra de Cristo e acreditarem n’Ele, serão purificados e renovados. Também o Apóstolo Paulo na segunda Leitura afirma: “Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto”. Está a testemunhar a sua grande experiência de convertido, por ter escutado a Palavra do Ressuscitado. Acreditar é também ressuscitar; é efeito, não apenas do túmulo vazio, mas de um novo encontro com maior luz interior. É o que verificamos no testemunho dos apóstolos: de tímidos, desanimados ou afastados, tornaram-se apóstolos fervorosos dispostos a dar a vida por Cristo. Sintamo-nos continuadores desta graça e desta missão. Cristo é a nossa Páscoa. Ele ressuscita também para nos acompanhar, desafia-nos a encontrá-lo na estima, na consideração e relacionamento de uns com os outros. A Ressurreição do Senhor tem o seu efeito na comunidade e nos lugares onde vivemos com a certeza e a alegria de sermos amados por Deus. Vivemos em tempos difíceis para todo o mundo. Como cristãos, sejamos sinal, uns para os outros, do Amor vitorioso do Ressuscitado. Não permitamos que nada, seja o que for, nos roube a esperança e a capacidade de amar, porque essa será a nossa maior riqueza que Deus colocou no nosso coração. Neste sentido, disponhamo-nos a dar testemunho da Ressurreição sendo generosos, colaborando, especialmente, com os mais necessitados. O Senhor conquistou-nos por alto preço: derramou o seu sangue para nos libertar do mal. Não desperdicemos esta vitória! Procuremos viver reconciliados com Deus e demos testemunho deste Amor que salva e liberta. Só assim podemos proclamar que o Senhor ressuscitou verdadeiramente. Aleluia!

SUGESTÃO DE CÂNTICOS
Entrada: Ó Páscoa Gloriosa, F. Santos, NCT 175; Hoje é dia de festa (C. Silva) – OC 135; Este é o dia que o Senhor nos fez (M. Luís) – NCT 539; O Senhor ressuscitou verdadeiramente (A. Cartageno) – CEC I 138; Ressuscitei e eis-me para sempre contigo (J. Martins) – CEC I 137; Sequência: Victimae paschali, c. greg., NCT 202; Ofertório: Ó Páscoa gloriosa (F. Santos) – NCT 176; Nasceu o sol da Páscoa (M. Luís) – NCT 537; Comunhão: Sempre que comemos o pão, F. Santos, NCT 198; O Senhor ressuscitou verdadeiramente (A. Cartageno) – CEC I 138; Cristo, nosso Cordeiro Pascal (M. Simões) – NCT 167; As bodas do Cordeiro (M. Luís) – CAC 259; Final: Rainha dos Céus, alegrai-vos (F. Silva) – IC 331; Na sua dor (A. Cartageno) – NCT 200; Regina Caeli (Gregoriano) – NCT 205.
LEITURA ESPIRITUAL

«Eis o dia que o Senhor fez» (Sl 117,24) 

Deixemos irromper a nossa alegria, meus irmãos, hoje como ontem. Apesar de as sombras da noite terem interrompido o nosso regozijo, o dia santo não terminou: a claridade que a alegria do Senhor espalha é eterna. Cristo iluminou-nos ontem e ainda hoje a sua luz resplandece. «Jesus Cristo é o mesmo ontem e hoje» (Hb 13,8). Sim, para nós, Cristo fez-Se dia. Para nós, Ele nasceu hoje, como anuncia Deus Seu Pai pela voz de David: «Tu és meu filho; Eu hoje Te gerei» (Sl 2,7). Que significa isto? Que Ele não gerou o seu filho um dia, mas O gera dia e noite. Sim, Cristo é nosso hoje: esplendor vivo e sem declínio, Ele não cessa de inflamar o mundo que sustém (Hb 1,3), e este clarão eterno parece ser apenas um dia. «A teus olhos, mil anos são como um só dia», exclama o profeta (Sl 89,4). Sim, Cristo é este dia único, porque única é a eternidade de Deus. Ele é o nosso hoje: o passado, desaparecido, não Lhe escapa; o futuro, desconhecido, não tem segredos para Ele. Luz soberana, Ele tudo abraça, tudo conhece, está presente em todos os tempos e possui-os todos. Perante Ele, o passado não pode ruir nem o futuro esquivar-se. Este hoje não é o tempo em que, segundo a carne, Ele nasceu da Virgem Maria, nem aquele em que, segundo a divindade, Ele sai da boca de Deus seu Pai, mas o tempo em que ressuscitou dos mortos: «Ele ressuscitou Jesus», diz o apóstolo Paulo, «conforme está escrito no salmo II: “Tu és meu filho; Eu hoje Te gerei”» (At 13,33). Na verdade, Ele é o nosso hoje quando, saído da densa noite dos infernos, incendeia os homens. Ele é o nosso dia, aquele que as negras conspirações dos seus inimigos não puderam obscurecer. Nenhum dia soube melhor do que este acolher a sua luz: Ele deu o dia e a vida a todos os mortos. A velhice tinha atirado os homens para a morte; Ele ergueu-os no vigor do seu hoje. (São Máximo de Turim (?-c. 420), bispo, Sermão 36; PL 57, 605)

 
Redação: Pe. Jorge Seixas
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