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Domingo XI do Tempo Comum - Ano A - 14 de junho 

SOMOS O POVO DE DEUS, RECONCILIADO PELA ENTREGA DE CRISTO 

Neste domingo, a Palavra de Deus coloca-nos diante de uma realidade extraordinária que deve ser meditada, rezada e posta em prática: somos o Povo de Deus. Deus toma a iniciativa de celebrar com o seu povo uma aliança, que é a expressão do amor de Deus. Diante desta aliança, da parte do povo, acontecem dois momentos: em primeiro lugar, a escuta da voz de Deus pelo povo e, em segundo lugar, a aliança tem de ser guardada no coração do povo; por isso, tem de ser vigiada pelo povo. Então, é importante escutar a voz de Deus para manter a eficácia da aliança que Deus fez com o seu povo. Assim, o povo é o tesouro de Deus, porque Ele o reservou para si mesmo e esta é a riqueza do Povo de Deus. E, conservando a aliança, o povo tornar-se-á um reino de sacerdotes e uma nação santa, ou seja, o povo foi separado (escolhido) por Deus, por isso ele o chama de “nação santa”, para que seja de Deus, para que seja sua propriedade. Assim, podemos dizer que o fundamento da aliança está em ouvir e manter a proposta da aliança. A partir da aliança, somos o tesouro de Deus entre todos os povos, somos o povo de Deus, somos sua propriedade e pertencemos a Ele. Por isso, o povo da Nova Aliança, que celebra o Dia do Senhor, responde a Deus com o salmo responsorial: “o Senhor é Deus, Ele nos fez, a Ele pertencemos, somos o seu povo, as ovelhas do seu rebanho”. Deus revela o seu amor eterno no cuidado que tem connosco e, sobretudo, no facto de nos ter enviado o seu Filho. O nosso Deus é um Deus que ama até ao fim. É assim que São Paulo o apresenta na segunda leitura: “Deus prova assim o seu amor para connosco: Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores”. A condição humana foi prejudicada pelo pecado, “ainda éramos fracos”. O homem fica debilitado, sem forças, exausto, de modo que não pode sair desta dificuldade e, por si só, não pode libertar-se do pecado. Então, a Igreja pede ao Pai que esta ação de Cristo, morto por nós, pecadores, se manifeste concedendo a graça necessária para vencer o pecado. Ora, esta morte de Cristo acontece, como diz Paulo, no tempo determinado, isto é, no tempo de Deus, no tempo da história da salvação e da vontade divina, para que sejamos salvos do castigo final. O tempo de Deus percorre toda a história da salvação através do amor salvífico. Por isso, o texto da Carta aos Romanos afirma que “também nos gloriamos em Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo, por quem alcançámos agora a reconciliação”. Como parte do plano de salvação, o Senhor dá aos apóstolos a missão de trabalhar na messe e obter os frutos dessa salvação, concedendo-lhes, ao mesmo tempo, o “poder de expulsar os espíritos impuros e de curar todas as doenças e enfermidades”. Isto significa que o envio dos apóstolos destina-se a restaurar, através da autoridade que lhes concede, todos aqueles que estão em dificuldades por causa do pecado: os apóstolos têm autoridade para expulsar espíritos impuros e curar leprosos e outros doentes, para ressuscitar os mortos, ou seja, a graça age para superar a fraqueza causada pelo pecado. A graça restaura o que estava caído ou fraco. Além disso, o exercício da graça é livre: “Recebestes de graça, dai de graça”. Peçamos à Virgem Maria que nos ajude, como discípulos de Jesus Cristo, a proclamar, por palavras e obras, e sem esperar nada em troca, que Deus está próximo de nós, esforçando-nos por salvar a humanidade e implantar à nossa volta o seu Reino de vida e de verdade. E não nos esqueçamos também de pedir vocações sacerdotais; porque a messe é grande, e os operários são poucos. Precisamos de bons sacerdotes que tornem Cristo sacramentalmente presente e conduzam o Povo de Deus pelo caminho da salvação.

SUGESTÃO DE CÂNTICOS

Entrada: Nós vamos até Vós, A. Mendes, NCT 223; Povo de Reis (L. Deiss) – CT 35; Ouvi, Senhor, as minhas palavras (F. Silva) – IC 238; Aclam. Ev.: Está próximo o Reino de Deus, adapt. N.C.T. 239; Apresentação dos Dons: A messe é grande (C. Silva) – OC 14; Subam até Vós (M. Luís) – NCT 250; Comunhão: Nós somos as pedras vivas, F. Santos, N.C.T. 346; Ide por todo o mundo, M. Luís, N.C.T. 355; Pai Santo, guarda no teu Nome (M. Simões) – CEC II 58; Eu estou à porta e chamo (F. Silva) – NCT 260; Final: Povo teu somos, Anón. séc. XVI, N.C.T. 360; Ide por todo o mundo (M. Luís) – NCT 355; Louvai ao Senhor, louvai (J. Santos) – NCT 290.

LEITURA ESPIRITUAL

Sede compassivos! 

Sede compassivos uns com os outros. Vede como Eu sou compassivo para convosco; como sofro e tenho piedade e compaixão de todas as dores, como suspiro com este e choro com aquele outro. Tenho compaixão dos seus lutos, das suas doenças, das suas preocupações, da sua fome, da sua fraqueza, da sua ignorância e sobretudo dos seus pecados; não faço apenas o bem às almas e aos corpos: o meu Coração tem uma piedade, uma compaixão profunda por todos os males da alma e do corpo. A compaixão faz parte do amor em todo o coração mortal, e faz parte de todo o amor humano. Visto que vos mando que ameis todos os vossos irmãos, sede compassivos com todos os seus males, grandes e pequenos, sofrei com eles por tudo o que sofrem, como vedes em tantos e tantos exemplos que vos dou. Nunca esqueçais o dever do amor: a compaixão. Não esqueçais as minhas lágrimas e suspiros, e os milagres que fiz sem que ninguém mos pedisse, como entregar vivos às mães os seus filhos que tinham morrido, para que cada um de vós pudesse dizer na sua última hora: «Qual de vós chorou sem que Eu tenha chorado com ele?». Ah! Quem puder dizer isso será mil vezes bendito e poderá acrescentar: «Sim, o amor de Cristo nos absorve completamente». «Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim» (2Cor 5,14 ; Gal 2,20). (São Charles de Foucauld (1858-1916), eremita e missionário no Saara, Sobre o Evangelho)

 
Redação: Padre Jorge Seixas e Padre Carlos Cunha
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