SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS - 01 de novembro
A SANTIDADE NÃO É UM LUXO, MAS UMA NECESSIDADE
Nesta solenidade, a Igreja celebra todos os santos, não só os canonizados pela Igreja, mas também todos aqueles que viveram a sua vida cristã de forma exemplar e que permaneceram anónimos, embora não para Deus que vê no oculto. Quando pensamos em santidade, muitas vezes temos a ideia de que somente pessoas que têm dons extraordinários podem ser santas, mas não é assim. A santidade não está reservada a pessoas com dons extraordinários, mas todo o cristão é chamado à santidade, isto é, todos somos chamados a viver a bem-aventurança que Cristo nos propõe. Mas como ser santo? A santidade é um dom e uma tarefa. Há uma parte que depende de Deus e que temos de estar abertos para a receber livremente, e outra parte é nossa tarefa, e temos de nos esforçar para alcançá-la. A santidade é um dom no sentido em que Jesus nos ofereceu a possibilidade para participar na sua santidade. O único santo é Deus, por isso a nossa santidade é participar d'Ele. Jesus fez-se carne para nos facilitar esta participação, para estender a sua mão divina à humanidade e tornar-se mais acessível para nós. Por isso, a nossa atitude deve ser de acolhimento, estarmos abertos aos dons que Deus nos dá através do seu Filho e estarmos prontos para que esses dons produzam em nós abundantes frutos. Jesus torna-nos participantes da sua santidade de muitas maneiras na nossa vida, especialmente através da sua Palavra, dos Sacramentos e da oração. A leitura assídua da Palavra de Deus ajuda-nos a sair de nós mesmos e a estarmos atentos à vontade de Deus. A celebração dos sacramentos é alimento que fortalece a nossa fé e nos ajuda a sentir a presença de Jesus na nossa vida. Cuidar do silêncio da oração é fundamental para descobrir a grandeza de Deus Todo-Poderoso, que, ao mesmo tempo, faz-se próximo e entra em diálogo connosco. Através de todos esses meios, podemos experimentar que o verdadeiro Santo é Deus, mas que Ele quer que participemos da Sua santidade, Deus desce (rebaixa-se) para nos elevar a Ele. Mas a santidade, além de ser um dom, é também uma tarefa, exige esforço e vontade da nossa parte. O caminho que nos ajuda a progredir na santidade é o da caridade, porque assim o mandato do amor deixa de ser norma e torna-se o nosso modo de vida. Fazer da caridade o nosso modelo de vida só pode ser alcançado se colocarmos tudo o que estiver ao nosso alcance em jogo. Tornar-se santos não é uma questão para pessoas extraordinárias, como dissemos antes, mas é uma questão para pessoas comprometidas, determinadas e dedicadas. A santidade exige que levemos o Evangelho a sério, que acreditemos verdadeiramente que é possível viver de acordo com o modo de vida que Jesus nos ensinou, e que tenhamos a convicção de que este modo de vida é o melhor, aquele que dá a verdadeira felicidade. Ser santo não é um prémio, não é uma conquista, fruto dos nossos esforços, mas a santidade é a vocação a que todos somos chamados. Se é uma vocação, isso significa que é um apelo que Deus nos faz e que só de nós exige uma resposta generosa. Temos de nos deixar transformar pela ação de Deus em nós. É por isso que a santidade não é uma questão de heróis, super-homens ou mulheres, mas de sermos obedientes ao projeto que Deus tem em mente para cada um de nós, é deixarmos Deus modelar o barro que cada um de nós é de acordo com o modelo que Ele projetou para cada pessoa, o qual será único e irrepetível. Santa Teresa de Calcutá dizia que "para um cristão, a santidade não é um luxo, mas uma necessidade". A verdadeira felicidade está em deixar que a vontade de Deus se cumpra em nós, que é também santidade, e isso não é opcional para um cristão, essa é a principal tarefa que ele deve realizar ao longo da sua vida. Não sejamos relaxados em sermos cristãos, não sejamos conformistas, caminhemos para a meta e o horizonte que Deus preparou para todos nós na glória dos céus, fazendo parte dos “que vieram da grande tribulação, dos que lavaram as túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro”. |