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Domingo XXXIII - Tempo Comum - Ano A - 15 de novembro
 

SUGESTÃO DE CÂNTICOS 

Entrada: Deus fala de paz, F. Santos, NCT 216; Dai a paz, M. Faria, NCT 214; Eu venho, Senhor, F. Santos, NCT 218; Escutai, Senhor, a prece (A. Cartageno) – CEC II 113; Senhor, trazei-nos a paz (Az. Oliveira) – CEC II 155; Apresentação dos Dons: Eu estou sempre convosco (C. Silva) – CEC I 170; Estai preparados (Az. Oliveira) – NRMS 128,18; Comunhão: Como é admirável, Senhor, F. Santos, NCT 257; Quem come deste pão, M. Luís, NCT 271; Tudo o que pedirdes (C. Silva) – CEC II 52; Eu estou às portas e chamo (F. Silva) – CEC II 82; Final: Na presença dos Anjos (M. Luís) – CT 195; Cantarei ao Senhor (F. Silva) – NCT 212.  

 

INVESTIR A VIDA E OS DONS DE DEUS COM RESPONSABILIDADE 

Ao aproximar-se o final do ano litúrgico, continuam a surgir questões fundamentais, com as quais a Igreja nos ajuda a preparar o encontro definitivo com o Senhor. Neste domingo, convida-nos a refletir sobre o sentido da nossa vida: Por que estamos aqui? Qual é a nossa razão de viver? E ajuda-nos a esta reflexão através da parábola dos talentos. Esta parábola refere-se ao que Deus faz com cada um de nós, somos trabalhadores na sua herdade e Ele deixa-nos ao nosso encargo parte dos seus bens. Todos nós recebemos talentos que o Senhor nos deu, ninguém está sem talentos. Quando olhamos para a nossa vida, às vezes é difícil descobrirmos o que há de bom nela, o que há de mau descobrimos rapidamente. O que é bom é mais difícil de reconhecer, às vezes por causa de uma má compreensão do que é a humildade. Onde procuramos descobrir os nossos talentos? Muitas vezes fazemo-lo por comparação ou à procura de um ideal humano que nunca alcançaremos, porque não passa de uma fantasia. Temos que olhar com os olhos do coração, com os olhos que Deus olha para nós, para os descobrir. O que é que toca especialmente os nossos corações? Onde colocamos o nosso coração e a alma quando atuamos? Estes são os indícios dos nossos talentos. Na parábola, Mateus salienta que cada servo recebeu um número diferente de talentos, o que o distingue da versão de Lucas em que todos receberam o mesmo. Os talentos estão em função do plano que Deus tem para cada um de nós. Ele deu-nos aqueles de que precisamos para cumprir esse plano, e eles não são melhores ou piores do que os dos outros. Às vezes temos dificuldade em descobrir os nossos talentos, porque ainda não descobrimos o plano de Deus para nós, ou porque temos dificuldade em aceitar esse plano, que é muito diferente do nosso plano, mas que é aquele que realmente nos fará felizes. Hoje, o Senhor convida-nos a refletir: Por que me deixou estes talentos e não outros? Assim descobriremos qual é a nossa missão neste mundo. O Senhor dá-nos os talentos para que sejam fecundos, mas como fazê-lo? Quando olhamos para a nossa vida, percebemos que há talentos que temos mais ou menos desenvolvidos e que há outros que ainda estão intocáveis. A razão pela qual não os desenvolvemos, muitas vezes, foi por medo, como o servo da parábola. O medo paralisa-nos e impede-nos de avançar. O plano de Deus para nós exige sempre que saiamos da nossa zona de conforto e corramos riscos; por isso, só pode ser alcançado se colocarmos todos os nossos talentos em ação, incluindo aqueles que nos assustam, porque não temos segurança. Esta falta de segurança é o que nos leva a confiar no Senhor e não em nós mesmos, e é isso que nos leva a fazer o plano de Deus e não o nosso. Entre os talentos que descobrimos na nossa vida, nem todos eles levam ao plano de Deus. Deus fez-nos livres e é por isso que Ele nos deu talentos para sermos capazes de realizar outro plano, diferente do seu, para que a escolha que fizermos por Ele seja verdadeiramente livre. É por isso que cada um tem que distinguir entre habilidades inatas e talentos. As habilidades levam-nos ao nosso próprio plano, enquanto os talentos são dons de Deus e exigem esforço. Por isso, é necessário investir os talentos que Ele nos dá, pois acabam dando um retorno muito maior do que o caminho das habilidades. A parte final da parábola pode deixar-nos um pouco oprimidos, devido à dureza que aí se encontra. Esta parábola faz parte de um grupo de três parábolas que falam do fim dos tempos e de como o Senhor nos examinará a partir do amor, do amor aos outros e também do amor a nós mesmos. Quando se opta por seguir Cristo, não há meias medidas, quer seja discípulo ou não. Aqueles que aceitam com receio o Evangelho acabam perdendo o que têm; no entanto, aqueles que se doam completamente, o que recebem multiplicar-se-á exponencialmente, porque Deus multiplica o que colocamos nas suas mãos. Deus tem um plano para cada um de nós. Os talentos que Ele semeou em nós são para poder realizá-lo. Não nos devemos contentar com uma vida sem coração e hesitante, devemos investir o que Deus semeou em cada um de nós, devemos arriscar, devemos confiar em Deus. Ele nos ajudará a descobrir os talentos que semeou em nós para realizar o Seu plano.

LEITURA ESPIRITUAL

Fazei render a mina 

Hoje gostaria de meditar sobre a questão do meio ambiente, como já pude fazer em diversas circunstâncias. Quando falamos de meio ambiente, da criação, vêm ao meu pensamento as primeiras páginas da Bíblia, o Livro do Génesis, onde se afirma que Deus colocou o homem e a mulher na Terra para que a cultivassem e conservassem (cf. 2,15). E surgem-me estas perguntas: O que quer dizer cultivar e conservar a terra? Estamos verdadeiramente a cultivar e a conservar a criação? Ou estamos a explorá-la e a descuidá-la? O verbo «cultivar» faz vir à minha mente o cuidado que o agricultor tem pela sua terra, a fim de que produza fruto e de que este seja partilhado: quanta atenção, paixão e dedicação! Cultivar e conservar a criação é uma indicação de Deus, dada não só no início da história, mas a cada um de nós; faz parte do seu desígnio; significa fazer com que o mundo se desenvolva com responsabilidade, transformá-lo para que seja um jardim, um lugar habitável para todos. Bento XVI recordou várias vezes que esta tarefa que nos foi confiada por Deus Criador requer a compreensão do ritmo e da lógica da criação. Nós, ao contrário, somos frequentemente levados pela soberba do domínio, da posse, da manipulação e da exploração; não a «conservamos», não a respeitamos e não a consideramos como um dom gratuito do qual temos de cuidar. Estamos a perder a atitude do encanto, da contemplação, da escuta da criação; e assim já não conseguimos entrever nela aquilo que Bento XVI define como «o ritmo da história de amor de Deus com o homem». Porque acontece isto? Porque pensamos e vivemos de modo horizontal; afastamo-nos de Deus e não lemos os seus sinais. Mas o «cultivar e conservar» não abrange apenas a relação entre nós e o meio ambiente, mas refere-se também às relações humanas. Estamos a viver um momento de crise; vemo-lo no meio ambiente, mas principalmente no homem. A pessoa humana está em perigo: isto é certo, hoje a pessoa humana está em perigo, eis a urgência da ecologia humana! (Papa Francisco, Audiência geral de 05/06/2013)

 

Redação: Pe.  Jorge Seixas e Pe. Carlos Cunha

 

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