ADAP  Admonições Audiovisuais Equipa Espiritualidade Formação Liturgia Sobre Zeladoras
Domingo XII do Tempo Comum - Ano A - 21 de junho

O SENHOR É A FORÇA DO SEU POVO 

Na semana passada, a liturgia permitiu-nos refletir na escolha que Deus fez do seu povo, como nação santa e sua propriedade. Assim, compreendemos como Deus nos protege e cuida, nos sustenta e nos liberta dos nossos adversários. A antífona de entrada deste domingo inicia com a seguinte expressão: “O Senhor é a força do seu povo” (Sl 27, 8). E as leituras bíblicas deste domingo revelam-nos que o povo tem consciência de que Deus o salva, de que Deus o ama, de que Deus o guia: é assim que Jeremias proclama: “o Senhor está comigo como herói poderoso, e os meus perseguidores cairão vencidos”. Ele sabe que tem inimigos, sabe que eles o perseguem e que desejam a sua morte, mas confia em Deus e coloca toda a sua vida diante dele. Deste modo, na expressão do profeta, encontramos a certeza de um povo que confia no seu Senhor e, por isso, aclama: “Cantai ao Senhor, louvai o Senhor, que salvou a vida do pobre das mãos dos perversos”. Significa, então, que o povo vive com alegria, devido à ação de Deus. Ora, aquele que reza sabe que a sua oração será ouvida e o resultado da oração é a alegria. Ou seja, a oração que se eleva a Deus é para pedir a sua proteção, a sua presença, a sua ajuda, como dizia o salmo: “Pela vossa grande misericórdia, atendei-me, Senhor”. A oração brota do coração confiante que se alegra com a intercessão do Senhor que salva os que sofrem, porque nunca ignora os pobres. Portanto, não há necessidade de recear de uma forma doentia e excessiva. Confiar no Senhor sem nada temer, pois Ele libertou-nos. Por isso, o Evangelho de Mateus diz-nos claramente: “Não tenhais medo dos homens”. Mesmo que sejamos criticados, perseguidos, caluniados ou corramos perigo de morte, a confiança permite-nos viver na serenidade que vem de Deus. “Não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Temei antes Aquele que pode lançar na geena (o fogo eterno) a alma e o corpo”. Que tudo o que fizermos seja “à luz do dia”, pois assim daremos testemunho do Senhor “diante dos homens” (“todo aquele que se tiver declarado por Mim diante dos homens”), proclamando ou professando a nossa fé no Senhor, através das nossas obras. E assim o próprio Senhor nos reconhecerá diante do Pai. Resumindo, Jesus convida-nos a cuidar da alma e do corpo através da confiança que se traduz em agir de acordo com os seus preceitos; o contrário é negação, de modo que quem nega o Senhor diante dos homens, também será negado diante do Pai que está nos céus. Portanto, reconhecer e aceitar o Senhor é viver no amor, é viver completamente abandonado ao seu plano de salvação, que é a expressão do seu amor por nós. É por isso que pedimos a Deus Pai que nos faça “viver a cada instante no temor e no amor do vosso Santo nome” (Oração Coleta), para que os nossos corações sejam purificados através do seu amor redentor (cf. Oração sobre as Oblatas), ou seja, a graça de Deus liberta o homem, porque o pecado é vencido pela ação de Cristo, como nos diz São Paulo: “Se pelo pecado de um só todos pereceram, com muito mais razão a graça de Deus, dom contido na graça de um só homem, Jesus Cristo, se concedeu com abundância a todos os homens”. E isto é uma certeza para a comunidade que reza dizendo: “fazei que a participação nestes mistérios nos alcance a plenitude da redenção”. (Oração Depois da Comunhão). Não tenhamos medo daqueles que nos podem fazer mal. Quem tem a última palavra é Deus; e contra Deus eles nada podem, mesmo que estejam convencidos que podem acabar connosco. Não tenhamos vergonha de ser cristãos. A graça de Deus foi derramada sobre todos; por isso, tenhamos coragem e peçamos à Virgem Maria que sejamos, sempre e em toda a parte, cristãos fiéis e verdadeiros discípulos de Jesus Cristo.

SUGESTÃO DE CÂNTICOS 

Entrada: Dai a paz, M. Faria, N.C.T. 214; Salvai, Senhor, o vosso povo (J. Santos) – CEC II 57; Eu venho, Senhor, à vossa presença (F. Santos) – NCT 218; Apresentação dos Dons: Em Vós, Senhor, eu pus a minha esperança (M. Silva) – CT 309; A Vós, Deus e Senhor (D. Julien) – NCT 242; Comunhão: O Senhor é meu pastor, F. Santos, NCT 268; Ó Sagrado banquete, C. Silva, NCT 266; Eu estou sempre convosco (C. Silva) – NCT 354; Eu sou o Bom Pastor (C. Silva) – OC 122; Final: A minha alma louva o Senhor (F. Santos) – CEC II 67; Louvado seja o meu Senhor (J. Santos) – NCT 283.

LEITURA ESPIRITUAL

«O que vos digo às escuras, dizei-o à luz do dia» 

«Ele retira às profundezas o seu véu de trevas e traz à luz a sombra da morte» (Job 12,22). O que faz o crente quando compreende o sentido misterioso das palavras obscuras dos profetas? Não está a retirar às profundezas o seu véu de trevas? É por isso que, dirigindo-Se aos seus discípulos, a Verdade ordena: «O que vos digo às escuras, dizei-o à luz do dia». Com efeito, quando os nossos comentários desfazem os misteriosos nós das alegorias, dizemos à luz aquilo que ouvimos nas trevas. Ora, a sombra da morte era a dureza da Lei, que prescrevia a todo o pecador a punição da morte física. Mas, quando o nosso Redentor temperou a aspereza das prescrições da Lei com a sua mansidão, quando estabeleceu que a sanção da falta não era a morte do corpo e revelou quão temível era a morte da alma, trouxe manifestamente à luz a sombra da morte. Porque uma morte que separa a carne da alma é uma simples sombra daquela morte que separa a alma de Deus. Assim, pois, a sombra da morte é trazida à luz quando, compreendendo o que é a morte do espírito, se deixa de temer a morte da carne. Com efeito, o Senhor retira às profundezas o seu véu de trevas quando traz à luz o julgamento que procede dos seus conselhos secretos, a fim de tornar manifestos os seus sentimentos sobre cada um de nós. (São Gregório Magno (c. 540-604), papa, doutor da Igreja, Livro XI, SC 212)

 
Redação: Padre Jorge Seixas e Padre Carlos Cunha
liturgia@diocesedeviseu.pt
© 2002-2026 SDPLV
View My Stats