ADAP Admonições Audiovisuais Equipa Espiritualidade Formação Liturgia Sobre nós Zeladoras

Domingo I da Quaresma | Ano A | 22 fevereiro

NUNCA DIALOGAR COM A TENTAÇÃO, ASPIRAR SEMPRE A VERDADE 

Neste primeiro domingo da Quaresma, as leituras bíblicas falam-nos de uma realidade que é fundamental para compreender a vida cristã: a luta contra o mal e as tentações. O livro do Génesis, na sua linguagem popular, narra a criação do homem e da mulher e do primeiro pecado com que o tentador procurou separar a humanidade do projeto de vida que Deus lhe propõe. O salmo responsorial é um convite ao arrependimento, a reconhecer que pecamos e a procurar a misericórdia e o perdão de Deus. São Paulo, na sua carta aos cristãos de Roma, exorta-nos à esperança, apesar das nossas misérias e fragilidades, porque a graça é sempre mais abundante onde o pecado está mais presente. O Evangelho torna visível esta realidade: também Jesus é tentado na sua condição humana! Com as tentações, o diabo apresenta a Jesus falsas esperanças messiânicas: o bem-estar económico, o estilo milagreiro e espetacular e o caminho do poder e do domínio para evitar a entrega e a cruz. Nunca perdem a atualidade. As tentações de Jesus são as nossas, como nos recorda Santo Agostinho: “em Cristo estavas a ser tentado... fomos tentados n'Ele, mas também n'Ele vencemos o diabo”. “Triunfando das insídias da antiga serpente, ensinou-nos a vencer as tentações do pecado, para que, celebrando dignamente o mistério pascal, passemos um dia à Páscoa eterna” (Prefácio deste domingo). Em certa ocasião, um padre, que colabora numa prisão partilhou a história de um recluso. Este rapaz estava a reorientar a sua vida numa comunidade católica que ajudava os jovens a recuperarem de diferentes circunstâncias, com as quais sofreram muito. O jovem estava muito motivado. Sentia-se acolhido, amado, aprendia um ofício e até ajudava quem tinha acabado de entrar a adaptar-se. Pela primeira vez, ele viu que estava a fazer um bom caminho na sua vida e o seu passado estava, finalmente, a ficar para trás. Mas, de repente, uma notícia alterou tudo: foi-lhe dito que tinha de voltar à prisão por crimes que ainda não tinham sido sentenciados. Para ele, voltar à prisão significava voltar atrás, perder o foco, misturar-se em ambientes indesejáveis, afundar-se na solidão de uma cela e, novamente, perder o horizonte. Por um momento, ele viu o seu presente e futuro escurecerem e dormiu a primeira noite na prisão. A sua comunidade rezava incessantemente por este irmão. Os advogados pediram que ele cumprisse a pena naquela comunidade e, assim, evitar um longo tempo no centro prisional. No início, este pedido não foi conseguido, o que o levou a entrar num círculo de desânimo, raiva e tristeza. A memória do passado pesava-lhe, a impotência de não poder fazer nada bloqueava-o e as vozes interiores não paravam de o acusar. Mas um fator mudou subitamente a sua atitude: recebeu dois membros da sua comunidade que o incentivaram a não desanimar, a continuar a rezar, algo que não foi fácil para ele naquele contexto. No entanto, naquela mesma noite, ele rezou a Deus pedindo ajuda, luz e força, para manter longe dele a tentação de deitar a toalha ao chão. No dia seguinte, dirigiu-se à biblioteca e pegou num livro onde encontrou, como marcador, uma frase do Evangelho: “Não vos deixarei órfãos; Eu voltarei a vós”! (Jo 14, 18). Aquela Palavra fez com que ele experimentasse aquela doçura que a oração deixa na alma. Esta experiência mudou a sua conduta; começou a rezar, a viver ali como um digno cristão, vendo os outros não como adversários, mas como irmãos. Antes de dormir, rezava e o colega de cela pediu-lhe para o ensinar a rezar. Ensinou-lhe a rezar o terço e rezavam juntos todas as noites. Finalmente, depois de algumas semanas, veio a boa notícia de que poderia sair da prisão e continuar na comunidade. A história deste jovem pode desafiar-nos, neste primeiro domingo da Quaresma, na luta contra o mal e a tentação. Jesus, no Evangelho, dá-nos as pistas para o enfrentar: nunca dialogar com a tentação. Com o poder da Palavra de Deus, Jesus recorda a verdade ao tentador, perito na mentira e na confusão da verdade: o coração do homem aspira a grandes coisas! Nada pode satisfazer o grande anseio de amor que carregamos dentro de nós e, portanto, não há nada material que o possa encher, nem qualquer poder ou território que possa satisfazê-lo. A humanidade procura a Deus! O jovem prisioneiro foi estimulado por um versículo da Palavra de Deus e a oração o manteve seguro e sereno. Aqui estão as pistas que Jesus nos dá neste domingo: a Palavra de Deus, adorar a Deus, e prestar culto somente a Ele. O tempo da Quaresma é ideal para intensificar a leitura da Palavra de Deus e a nossa oração. Guiados pela Palavra de Deus, fortalecidos na oração venceremos a mentira e tudo o que nos afasta de Deus, Suma Verdade e Amor.

Sugestão de Cânticos
Entrada: Ele me chamará, F. Santos, 14; Diz o Senhor nosso Deus (A. Cartageno) – CEC I 88; Aquele que por mim chamar (M. Luís) – CAC 134; Ofertório: O Senhor cobrir-te-á, F. Santos, NCT 108; Clamai pelo Senhor (M. Luís) CAC 138; Os meus olhos, Senhor (M. Luís) – CAC 156; Comunhão: Jesus Cristo, ó Porta do Reino, F. Santos, NCT 110; Nem só de pão vive o homem (F. Santos) – CT 423; Senhor, eu creio que sois Cristo (F. Silva) – CEC II 42; Final: Se me envolve a noite escura (M. Luís) – NCT 563; Irmãos convertei (P. Lécot) – CT 312.
Leitura Espiritual

Conselhos para não sucumbir à tentação 

Conhecemos a história daquele padre santo que, certo dia, deparou com um cristão que vivia na apreensão de sucumbir à tentação. «Que receio é esse?», perguntou-lhe o padre. «Senhor padre», disse o homem, chorando, «receio ser tentado, sucumbir e perecer. E não terei razão para tremer, quando houve tantos milhões de anjos que sucumbiram no Céu, quando Adão e Eva foram vencidos no paraíso terreno?». «Meu amigo», respondeu-lhe o padre, «não sabe que o demónio é como um cão enorme preso pela trela, que ladra e faz muito barulho, mas só morde quem dele se aproxima muito? Tenha confiança em Deus, fuja das ocasiões de pecado, e não sucumbirá. Se Eva não tivesse ouvido o demónio, se tivesse fugido dele assim que começou a ouvi-lo falar de transgredir os mandamentos de Deus, não teria sucumbido. Quando for tentado, rejeite imediatamente a tentação e, se puder, faça o sinal da cruz com devoção, pense nos tormentos pelos quais passam os condenados por não terem sido capazes de resistir à tentação; erga os olhos ao Céu e verá a recompensa daquele que combate; peça ajuda ao seu anjo da guarda, lance-se prontamente nos braços da Mãe de Deus, pedindo-lhe que o proteja; e vencerá os seus inimigos, que não tardarão a ficar cobertos de confusão». Se sucumbimos, meus irmãos, é porque não recorremos aos meios que Deus nos oferece para o combate. Temos sobretudo de estar bem convencidos de que, sozinhos, não deixaremos de nos perder; porém, se tivermos confiança em Deus, tudo podemos. (São João-Maria Vianney (1786-1859), presbítero, Cura de Ars, Sermão para o 2º Domingo depois da Páscoa)

Redação: Pe. Jorge Seixas liturgia@diocesedeviseu.pt
© 2002-2026 carloscunha.net
View My Stats