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Domingo XXXII - Tempo Comum - Ano A - 08 de novembro

SEMPRE ALERTA PARA RECEBER O SENHOR 

Estamos a aproximar-nos do final do ano litúrgico e as leituras, como toda a liturgia, começam a assumir um tom escatológico, começam a surgir as questões sobre o fim, que também são importantes na vida de uma pessoa. O texto evangélico deste domingo apresenta-nos o tema do fim dos tempos: quando será o regresso definitivo do Senhor? E a esta pergunta o Senhor Jesus responde com uma parábola, a das dez virgens, cinco prudentes e cinco insensatas. Um elemento fundamental da parábola são as lâmpadas acesas. A luz sempre foi um símbolo de fé. Na celebração do batismo, o padrinho recebe uma vela acesa no círio pascal e aos pais e aos padrinhos é dito que essa chama é um símbolo da fé que a criança acaba de receber através do batismo. Portanto, segundo a parábola, todas as virgens tinham recebido este dom, todas tinham fé, estavam em igualdade de circunstância. Mas, cinco delas “levaram azeite consigo” para continuar a reabastecer a lâmpada, enquanto as outras cinco vão ao encontro do esposo somente com o azeite que tinham na lâmpada. Com este detalhe, o Senhor diz-nos que a fé é algo vivo que deve ser alimentado e cuidado, caso contrário pode morrer. Às vezes podemos pensar que, sendo batizados, já recebemos a fé e já temos assegurada a entrada na vida eterna. Mas não, porque a fé pode-se perder, não porque Deus se esquece de nós, mas porque esquecemos o caminho que nos leva a Deus. No rito da entrega da vela ao padrinho no batismo de uma criança, juntamente com a referência à fé, os pais e padrinhos são exortados a comprometerem-se a alimentar, a cuidar e a aumentar a fé daquela criança, que, naquele momento, recebeu como que uma semente que deve tornar-se uma planta robusta e fecunda. A fé não é um elemento imutável, mas acompanha a vida da pessoa e está viva como está a pessoa que a acolhe. O cristianismo é a religião da encarnação, por isso a fé está encarnada na nossa vida e é influenciada por tudo o que vivemos ou não vivemos, não é algo isento da pessoa, mas está enraizada nela e expressa-se através dela. É por isso que o Senhor, através desta parábola, perto do final do ano litúrgico, exorta-nos a cuidar e a alimentar a nossa fé, a fim de manter viva a chama que outrora nos foi dada no nosso batismo. E como se faz isto? Através da oração, da celebração dos sacramentos, da vida comunitária, do magistério da Igreja, etc. Um pormenor muito importante da parábola, e que pode nos escandalizar: aquelas que levaram as almotolias não partilharam o seu azeite com aquelas que não levaram almotolias. O que é que o Senhor nos quer dizer com este detalhe? Não seria normal que elas tivessem partilhado, como o Senhor normalmente nos pede? O povo de Israel pensava que, pertencendo ao Povo Eleito, a salvação e a entrada na glória já estavam asseguradas, era uma questão de linhagem e de pertença a um povo escolhido; a adesão pessoal aos preceitos divinos e a sua vivência, eram questões secundárias que não eram importantes. Jesus, no entanto, quer deixar claro que a fé é uma questão pessoal e que cada um deve prestar contas das suas ações. Portanto, pertencer ao Povo Eleito é a porta de entrada para a salvação, mas depois cada um é responsável por permanecer nesse caminho ou não, através das obras que realiza. Esta é a mensagem que o Senhor nos dá quando nos diz que as cinco virgens prudentes não queriam partilhar com as outras cinco; na verdade, não é que não quisessem, é que não podiam. A fé dá-nos uma experiência de Deus, uma experiência, que é pessoal e única. Podemos dizer aos outros o que vivemos e experimentamos, mas os outros não irão viver nem experimentar o mesmo; é algo que nunca poderemos partilhar. Neste domingo, o Senhor convida-nos a reacender e a alimentar a nossa fé, para que estejamos bem preparados para a vinda do Senhor e também para dar testemunharmos a nossa fé aos outros. Através do nosso testemunho de fé não seremos capazes de fazer com que os outros vivam o que nós vivemos, mas podemos fazê-los encantar e procurar o Senhor para acender a chama das suas lâmpadas. Sempre alerta…para receber o Senhor!

SUGESTÃO DE CÂNTICOS

Entrada: Chegue até vós, Senhor, F. Santos, NCT 213; Eu venho, Senhor, F. Santos, NCT 218; Eu venho, Senhor, à vossa presença (A. Cartageno) – CEC II 77; Chegue até Vós, Senhor (F. Santos) – CEC II 142; Apresentação dos Dons: Eu Sou a Ressurreição e a Vida (A. Mendes) – CT 339; Chegou o esposo (A. Cartageno) – XXXV ENPL, 76; Comunhão: O Senhor é meu Pastor, F. Santos, NCT 268; Deus é bom Pastor, M. Luís, NCT 194; Felizes os convidados, M. Luís, NCT 264; Aí vem o esposo (F. Santos) – LHC I 189; O Senhor é meu pastor (B. Sousa) – CT 131; Final: Nós Vos louvamos (M. Luís) – CAC 319; Cantemos a glória ao nosso Deus (J. Martins) – CT 408.

LEITURA ESPIRITUAL

«As nossas lâmpadas estão a apagar-se» 

«As insensatas, ao tomarem as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo, enquanto as prudentes, com as lâmpadas, levaram azeite nas vasilhas.» O azeite designa aqui o esplendor da glória; as vasilhas são os nossos corações, onde guardamos todos os nossos pensamentos. As virgens prudentes levam azeite nas almotolias, porque guardam na sua consciência todo o esplendor da sua glória, como diz São Paulo: «O que faz a nossa glória é o testemunho da nossa consciência» (2Cor 1,12). As virgens insensatas, pelo contrário, não levam azeite consigo porque não guardam a sua glória no segredo do coração, isto é, fazem-na depender dos louvores dos outros. «No meio da noite ouviu-se um brado: “Aí vem o esposo; ide ao seu encontro”.» Todas as virgens se levantaram. Mas as candeias das virgens insensatas apagaram-se, porque as suas obras, que de fora pareciam resplandecentes aos olhos dos homens, por dentro não eram mais do que trevas; e não receberam de Deus nenhuma recompensa, considerando que já tinham recebido dos homens os louvores que as satisfaziam. (São Gregório Magno (c. 540-604), papa, doutor da Igreja, Homilias sobre os Evangelhos, 12)

 

Redação: Pe.  Jorge Seixas e Pe. Carlos Cunha

 

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