Domingo X do Tempo Comum - Ano A - 07 de junho
QUERO MISERICÓRDIA E NÃO SACRIFÍCIO. DESEJO A TUA VIDA RENOVADA.
No Evangelho deste domingo, Mateus descreve o seu primeiro encontro com Jesus. Mateus encontrava-se no posto de cobrança dos impostos. Era um publicano, uma pessoa ao serviço dos romanos que os zelotas detestavam e os fariseus desprezavam. Antes de se despedir da sua profissão, Mateus oferece, em sua casa, uma refeição a Jesus. E aproveita para convidar os amigos. Quer apresentar aos colegas o Mestre que mudou a sua vida. Este texto do Evangelho mostra-nos como o Senhor está mais perto dos que mais precisam dele. Ele veio curar, perdoar, salvar, não apenas para sustentar os saudáveis. Ele é o Médico divino. “Aqueles que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes”, diz aos que O criticam por comer com publicanos e pecadores. Quando andamos perturbados interiormente ou quando temos alguns problemas de saúde, Jesus está sempre disponível para nos ajudar. Não se afasta de nós, não desiste de nós, apesar dos nossos defeitos que devemos melhorar, porque convida-nos sempre à santidade. São Paulo, na segunda leitura, diz-nos que Abraão acreditou contra toda a esperança que chegaria a ser pai de muitas nações, como lhe tinha sido prometido. Mas, como pode isto acontecer? Devido a três verdades: Deus é omnipotente, Deus tem por mim um amor imenso, Deus é fiel às suas promessas. Ele é o Deus da misericórdia, que acende em mim a confiança; portanto, eu não me sinto sozinho, nem inútil, nem abandonado, mas implicado num destino de salvação que tem, como horizonte, a vida eterna. A esperança de sermos santos depende de que aceitemos essa mão amorosa que Ele nos estende diariamente. Jesus disse: “Ide aprender o que significa: ‘Prefiro a misericórdia ao sacrifício’ Porque Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores”. O Antigo Testamento só conhecia um tipo de sacrifício, o dos animais, ou dos frutos da terra: o holocausto e a oblação. Já os profetas tinham se manifestado contra a ideia de sacrifício. E Jesus veio abolir o sacrifício de touros e cordeiros e confirmou o sacrifício de si mesmo. Jesus iniciou um novo tipo de sacrifício, aquele que consiste em sacrificarmo-nos no altar da vontade de Deus, ou seja, oferecermo-nos a nós mesmos. Ele deu o exemplo: Jesus é o Cordeiro de Deus imolado por todos. A salvação da humanidade brotou deste novo sacrifício. Jesus ofereceu um sacrifício uma vez por todas. Na Eucaristia nós atualizamos este único sacrifício. Mas falta o nosso sacrifício que consiste em cumprir o que falta à paixão de Cristo. O sacrifício, por excelência, é fazer a vontade de Deus, é a conversão, é imolar o nosso orgulho. Recordemos o que diz o salmo: “Sacrifício agradável a Deus é um espírito arrependido. Não desprezeis, ó Deus, um espírito humilhado e contrito”. Este sacrifício não se opõe ao amor e à misericórdia, mas prepara o caminho para o amor e para a misericórdia. Somente quem sabe dizer não a si mesmo pode ajudar os irmãos a perdoar, a compreender, enfim, a usar de misericórdia para com os outros. Somente quem consegue dizer “não” a si próprio, é capaz de dar razão, de dizer “sim” ao irmão, de compreendê-lo, de perdoá-lo, de usar de misericórdia para com ele. Na casa de Mateus, Jesus sentou-se à mesa com publicanos e pecadores para lhes mostrar a sua misericórdia. Façamos nossa a oração que Santo Agostinho nos deixou na sua célebre obra, intitulada “Confissões”: “Tem piedade de mim, Senhor! Aqui estão, não escondo as minhas feridas: Tu és o Médico, eu o doente; Tu és o Misericordioso, eu o miserável… A minha esperança coloca-se na tua grande misericórdia!” (X, 28.29; 39.40). |