Secretariado Diocesano da Pastoral Litúrgica de Viseu
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3º DOMINGO COMUM (ANO C)

Depois de ter andado a pregar e a curar pelas terras da Galileia, Jesus foi a Nazaré, onde se tinha criado. Nazaré não era uma povoação importante e tinha a fama de gente que não tinha fé. Ali Jesus viveu até ser adulto, mas a má fama daquela gente não contagiou o adolescente e jovem Jesus. O seu amor a Deus Pai e o bom ambiente da Sagrada Família não permitiram que Jesus fosse contaminado pelo ambiente que se vivia na sua terra. Depois de algum tempo, Jesus vai à sua terra e é a primeira vez que Jesus fala na sua terra e os seus conterrâneos ouvem-no sem problema. Jesus estava a iniciar a sua vida pública e a sua missão e escolhe Nazaré, a sua terra, para dar a conhecer o seu programa de vida, orientado para a libertação da humanidade.
Então, qual é o programa de vida de Jesus? Encontra-se já anunciado pelo profeta Isaías na passagem que Jesus leu na sinagoga: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres. Ele me enviou a proclamar a redenção aos cativos e a vista aos cegos, a restituir a liberdade aos oprimidos e a proclamar o ano da graça do Senhor”. O programa de vida de Jesus consiste em evangelizar, aliviar os doentes e os pobres, libertar os explorados, libertar os presos injustamente, perdoar os pecados. Eis o programa de Jesus: liberdade, justiça e santidade. Com este programa Jesus apresenta-se como o Messias anunciado pelos profetas. Por isso, depois de ter proclamado a leitura, enrolou o livro, entregou-o ao ajudante e sentou-se. Estavam fixos em Jesus os olhos de toda a sinagoga, pois que poderia dizer-lhes aquele “filho do carpinteiro”? Então Jesus disse-lhes: “Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir”. Todos ficaram incomodados. Eles esperavam ver algum sinal prodigioso, mas não ouvir uma afirmação escandalosa, ou seja, o filho do carpinteiro apresentar-se como o Messias. Eles tinham-no como um vizinho que começava a destacar-se como rabino, mas Jesus acabava de lhes dizer que era o “Ungido do Senhor”.
Os habitantes de Nazaré foram apanhados de surpresa, ou seja, não estavam à espera desta posição de Jesus. E nós? O que esperamos de Jesus? Quando acreditamos e esperamos em Deus, quando dizemos “Senhor, eu creio em ti”, sentimo-nos confortados e tranquilos. Mas não basta isto, é também necessário descobrir o rosto do Senhor nos nossos irmãos. E isto pode meter-nos medo e insegurança, porque ir ao encontro dos nossos irmãos supõe sair do nosso comodismo tranquilo. O Evangelho convida-nos a correr o risco do encontro com o outro, com a sua dor, com as suas necessidades.
O programa de vida de Jesus está apresentado. E qual é o nosso? É evidente: assumir e unirmo-nos a Jesus, ou seja, é seguir o conselho de S. Paulo na segunda leitura deste domingo: viver unidos na missão dada por Cristo, colaborando cada um nas diversas áreas da vida: na catequese, na ação social, na família, no emprego, no bairro, na escola para que todos conheçam Cristo e se salvem. Como fazer esta missão? Com muito amor e respeito, guiados pelo Espírito Santo, unidos aos outros, sem querer passar por cima de ninguém. Neemias e Esdras, na primeira leitura, dão-nos um grande exemplo de união para ajudar a comunidade. Será uma missão fácil? Evidente que não. Seremos perseguidos e difamados, mas Cristo também passou por tudo isto.
Gostaríamos que o programa de vida de Jesus fosse mais fácil, triunfalista e que nos desse protagonismo. Mas tal não acontece. Tenhamos a coragem de deixar a preguiça, a indiferença e o comodismo para ir estender as mãos aos pobres, aos doentes, aos cegos, aos oprimidos, aos que mais precisam. Que Jesus coloque nas nossas bocas as palavras justas e apropriadas para levarmos o seu amor, o seu perdão, a salvação aos homens e às mulheres do nosso tempo.