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CRISTO-REI

Ao encerrar o ano litúrgico, a Igreja convida-nos a aclamar Jesus Cristo, como Rei do Universo. Neste domingo, dia de Cristo-Rei, reencontramos a figura que aparecia na primeira leitura do livro do Profeta Daniel: o “filho do homem”, um homem verdadeiro; “o seu poder é eterno, não passará jamais, e o seu reino não será destruído”. Facilmente, compreendemos que a sua realeza, a sua soberania, não é igual às realezas que a história, desde sempre, nos apresentou. Ele é o Alfa e o Ómega, “Aquele que é, que era e que há-de vir, o Senhor do Universo”, como afirma a segunda leitura do Apocalipse.
Este Senhor, Rei do Universo, ensinou-nos a rezar da seguinte forma: “Venha nós o vosso reino”. O seu reino não é deste mundo, mas tem o seu início e o seu crescimento no meio deste mundo, ou seja, não se reduz a uma realidade meramente espiritual, mas encarna-se na história da humanidade. Por isso, é muito importante a profissão pública da nossa fé e a promoção do Reino de Deus em cada momento da nossa vida. A missão de Jesus e da Igreja consiste em construir no mundo “um reino de santidade e de graça, um reino de justiça, de amor e de paz”. Com as palavras do Pai-Nosso, “venha a nós o vosso reino”, pedimos ao Senhor que o seu reino se torne presente na nossa vida e na sociedade. A Igreja recebeu de Jesus a missão de continuar a anunciar e a trabalhar pelo Reino de Deus, que veio até nós por Jesus. Este Reino chegará a todos os povos e nações, ao mundo inteiro, porque Jesus Cristo é Rei do Universo. Por isso, a Igreja é sacramento do Reino, o sinal que anuncia e torna presente este Reino de Deus. Mas não podemos esquecer que a Igreja não só anuncia, mas também caminha para o Reino e para a sua meta que é a comunhão com o Pai, com Jesus Cristo e com o Espírito Santo.
Como o Reino de Deus se vai tornando presente neste mundo, como viver esta vinda do Reino? O evangelista S. João responde a esta pergunta no texto do evangelho deste domingo. Ele descreve o impressionante encontro, cara a cara, entre Jesus e Pilatos, entre o Reino de Deus e o reino do mundo, ou seja, os dois extremos do poder. Pilatos pergunta a Jesus: “Então, Tu és Rei?”. Pilatos era o governador romano, representa o poder deste mundo, tem na mão a balança da justiça e a espada. Jesus era um prisioneiro, desarmado e humilde, mas responde com clareza à pergunta de Pilatos: “O meu reino não é deste mundo”. Através das suas palavras e das suas obras, Jesus afirma que o seu reino não é daqui, ou seja, “o meu reino não é deste mundo”, não é um Reino de violência, não se encontra nos critérios do poder social, económico ou politico, vai mais além da realidade terrena. Só vê o seu reino aquele que ama.
Como é que Jesus é Rei? É um rei pacífico e reconciliador. Apesar de ter poder, honra e majestade, Ele não impõe o seu Reino pela força, mas sabe o que vai no coração de cada homem e de cada mulher. O seu Reino é um Reino da verdade; por isso, diz a Pilatos: “Para isso nasci e vim ao mundo a fim de dar testemunho da verdade”. Ele é testemunha da verdade de Deus: o rosto verdadeiro de Deus é um amor crucificado, um amor desarmado. Mas também é testemunha da verdade do ser humano: o rosto verdadeiro do homem está feito de liberdade e de fraternidade, um rosto parecido com o rosto de Cristo, plenitude do homem. Jesus Cristo é a verdade que nos torna livres.
Cristo é rei, mas não deste mundo nem à maneira dos reis deste mundo. Ele é o Juiz Universal de todos os povos e nações até ao fim dos tempos. Mas Cristo não tem coroa de diamantes nem cetro de ouro. É rei do amor e do serviço, o Servo Sofredor que entrega a sua vida na Cruz por amor a todos. Por isso, não podemos esquecer: quem passou pela cruz, agora reina com Deus. Quem for testemunha fiel de Jesus, quem gastar a sua vida ao serviço dos irmãos, esse reinará eternamente no Céu.

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